O REINO ANIMAL
5 volume

BATRQUIOS
(5 volume)

A classe dos Batrquios abrange, diversos tipos, dos quais os mais comuns so
os trites, as salamandras, as rs e os sapos. [Avalia-se que existe cerca de
3000 espcies actuais.] So tambm conhecidos pela designao de Anfbios e, embora passem a maior parte da sua vida na gua, so animais de condio terrestre, 
porque
respiram por verdadeiros pulmes, acontecendo at que alguns raramente entram na gua.
 As suas caractersticas principais consistem na presena de quatro membros prprios para a
locomoo em terra, ainda que, nalguns, os membros posteriores estejam reduzidos a vestgios.
 E, embora sejam seres essencialmente pulmonares, tambm existem aqueles que no sofreram
profunda evoluo e ficaram respirando por brnquias externas. Todos tm pele nua.
 Os seus restos fossilizados revelam que certos Anfbios eram gigantes: o crnio media 1,20 metros e
tinham o corpo coberto de placas sseas, esculpidas, comparveis s dos crocodilos.
 Estes fsseis, representantes da ordem dos Estegocfalos, tm particular interesse, porque
representam no somente os antepassados dos Batrquios actuais mas tambm os dos Rpteis e,
directa ou indirectamente, os dos Mamferos.
 As ordens dos Batrquios so:
 
 Estegocfalos;
 Gimnofimios ou Apodes;
 Urodelos;
 Anuros.


Estegocfalos
 
 
 Os indivduos pertencentes a esta ordem, hoje desaparecida, caracterizam-se por possurem placas
sseas drmicas sobre o crnio (donde provm o seu nome) e abrangem os primeiros Vertebrados que
caminham em terra firme. Deles se conhecem cerca de 200 espcies Na sua maioria eram pouco
activos, viviam nos lagos e pntanos, por entre fetos arbreos e musgos gigantes, os quais, por
petrificao ulterior, originaram o carvo. Mas, mesmo no limiar da era dos Anfbios, j alguns dentre
eles, como o Dolichosoma, que media um metro de comprimento, tinham regressado  vida aqutica e,
como consequncia, tornaram-se podes.
 Outros, como os Labirintodontes gigantes, de arcaboio poderosos e ultrapassando cinco metros de
comprimento, possuam grandes dentes cnicos, cuja polpa, em corte, revelava pregas estranhamente
complicadas, que sugeriram o nome do grupo.
 
 
Gimnofimios ou podes
 
 
 Os Cecildeos, representam a ordem dos podes ou Gimnofimios. 
 As ceclias e seus afins (Siphonops, Ichthyophis) tm, quase todos, vida subterrnea e assemelham-se
a grandes minhocas cinzento-azuladas, visto terem perdido todos os vestgios externos de membros.
[Por isso, so tambm designados Vermiformes.] Possuem olhos minsculos ocultos sob a pele. Um
pequeno tentculo, situado entre a narina e o olho, serve de palpo sensorial.
 Ainda que estejam mais estreitamente aparentados com os trites do que qualquer outro animal
vivo, as Ceclias em nada se assemelham a eles. No Ichthyophis glutinosus, de Ceilo, a fmea escava
uma toca desde um lago ou um ribeiro a uma pequena cmara na margem, onde pe cerca de vinte
ovos amarelos, volumosos, esfricos, gelatinosos, semitransparentes e ligados uns aos outros, formando
rosrio. A fmea enrola-se em volta deles e incuba-os at  ecloso. Pouco depois da postura,
desenvolve-se em cada ovo um pequeno corpo anguiliformes, munido de trs pares de longas brnquias
que se atrofiam, de maneira que os jovens, ao sair do ovo, no apresentam qualquer vestgio delas,
notando-se apenas um orifcio de cada lado do pescoo. Nesta altura, j o animal possui olhos,
pequenos mas distintos, e uma curta cauda com barbatana baixa. Permanece um certo tempo neste
estado, vivendo na gua como uma enguia, mas a cauda acaba por perder a barbatana e os pequenos
olhos so cobertos pela pele. O resto da vida passa-se em terra.
 Apesar da sua adaptao a deste gnero particular de vida, os Cecildeos manifestam, sob certos
aspectos, um parentesco mais prximo dos Estegocfalos do que dos Batrquios actuais. Entre outros
elementos, nota-se que o crnio conservou os ossos drmicos dos fsseis antigos e, em certas espcies,
h escamas incrustadas na pele, armadura que no se encontra em nenhum outro Anfbio vivo. [ de
notar que, na ilha de S. Tom, existe um destes Cecildeos, Dermophis thomensis, de nome local "cobra-bob", pela semelhana com as cobras. Tem vida subterrnea, 
conforme  de regra nos membros deste grupo dos Vermiformes, e,  semelhana das minhocas, desempenha papel importante na
transformao das substncias vegetais, que ingere, na passagem,  medida que vai abrindo galerias, e
arejando simultaneamente a terra, que perfura sem descanso.]


Urodelos
 
 
 Existem dois tipos de Urodelos ou Batrquios com cauda. Usa-se vulgarmente o termo "salamandra"
para as espcies maiores e o de "trito" para as mais pequenas. Ainda que sejam por vezes
confundidos com os lagartos, pelos profanos, podem ser sempre reconhecidos pela caracterstica
marcante da pele lisa e nua. Exemplo tpico  o trito comum da Europa (Triturus vulgaris). Mede
cerca de oito centmetros e os dedos so desprovidos de unha; a parte de cima do corpo  de um
verde-olivceo-amarelado, com manchas negras, que, na fmea, podem formar uma linha ao longo de
cada flanco. A face inferior do corpo  amarela, com uma risca cor de laranja, ou vermelha, ao longo
da cauda, e algumas manchas negras, maiores no macho. Os trites passam o Vero num stio fresco e
hmido e, chegado o Outono, escondem-se, para hibernar sob o lodo ou uma pedra. Na Primavera,
despertam e derigem-se logo para a gua, apresentando-se o macho com as vestes nupciais: uma alta
crista festonada e recurva, desde a cabea  cauda, e faixa azul, orlada de carmesim, ao longo da face
inferior da cauda.
 Est ento em condies de comear a sua corte, o que ele faz nadando com movimentos bruscos,
at encontrar uma fmea, para a qual se dirige, tocando-se os focinhos. Durante breves instante, fica
imvel, mas depois, dobrando a cauda sobre o flanco, bate com ela no corpo ora de um lado ora do outro. De repente, d uma violenta pancada com a cabea na fmea 
escolhida. Se ela foge, segue-a e
recomea os seus manejos, findo os quais expele uma cpsula cheia de espermatozides [espermateca]
que a fmea prende e introduz no orifcio genital. Assim se d a fecundao.
 Este estranho comportamento, puramente instintivo, acompanhado de movimentos delicadamente
sincronizados e coordenados, no tem igual entre tantos processos de reproduo em todo o reino animal.
 A postura dos ovos pela fmea revela uma finalidade no menos determinada. So postos
isoladamente, ou a dois e dois ou trs e trs, e fixos s folhas das plantas aquticas pelo seu prprio
poder adesivo. Mas, uma vez fixado, a mae consegue dobrar as folhas que aderem  secreo gomosa
que cerca os ovos.
 Passados uns quinze dias, os jovens - girinos -, com trs pares de brnquias externas, saem dos ovos.
Fixam-se ento s plantas aquticas por meio de um par de filamentos existentes na maxila superior e
assim permanecem durante alguns dias, antes de comearem a procurar os pequenos organismos de que se alimentam. Depois aparecem os membros, primeiramente o par anterior, 
e em seguida
desenvolvem-se os pulmes; pelo fim do Vero, estes girinos perdem as brnquias e saem da gua sob
a forma de pequenos trites.
 Os trites e as salamandras tm uma notvel faculdade de adaptao a situaes particulares.
 O trito vermelho da Amrica do Norte (Triturus viridescens) passa, por vezes, no decorrer da sua
existncia, por uma terceira transformao. Os girinos transformam-se em adultos avermelhados, que,
depois de permanecerem um ano em terra, regressam  gua, perdem a colorao, tornam-se
esverdeados, ao mesmo tempo que aparece o que se chama a respirao farngica. Isto significa que,
tendo desaparecido as brnquias, a respirao  assegurada pela gua, bebida golada, sendo o oxignio
desta absorvido pela membrana que tapeta a boca, de rica vascularizao.
 A salamandra terrestre, negra e amarela (Salamandra salamandra), to intimamente aparentada com
os trites, tem igualmente uma existncia larvar muito interessante. Os adultos so negros de linhite
com manchas amarelo vivo ou faixas da mesma cor, formadas pela fuso das manchas. Como todos os
indivduos com similar colorao de aviso, as salamandras revelam-se venenosas quando comidas,
segregando certas glndulas da pele um produto acre e virulento. Se um animal tragar alguma, sofre
violentos vmitos seguidos de salivao abundante, pois uma salamandra de 18 a 20 centmetros contm muito veneno.
 Nas salamandras, o acasalamento d-se em terra, porque o macho no entra na gua, e os ovos
conservam-se no corpo da mae at  ecloso, nascendo os girinos com os membros j desenvolvidos.
Para dar  luz, a fmea penetra na gua. Passados aproximadamente trs meses, o girino adquire a
forma adulta. Na salamandra negra (Salamandra atra), das regies elevadas dos Alpes, a reproduo 
um pouco diferente, visto que, apesar de serem produzidos numerosos ovos, apenas de dois provm
jovens, sendo os outros sacrificados  alimentao destes.
 Nalgumas salamandras, que vivem nas torrentes das montanhas, os pulmes esto muito reduzidos
ou desapareceram por completo. A gua, muito arejada, tem grandes quantidades de oxignio, que 
absorvido pela pele. Esta modificao, pensa-se, poderia ser um bom exemplo de seleco natural.
Com efeito, os pulmes cheios de ar constituem para fazer flutuar o corpo. Por consequncia, aqueles
em que os pulmes so bem desenvolvidos tm mais probabilidade de serem arrastados pela corrente,
deixando para trs os de fraca capacidade pulmonar.
 A respirao conveniente pode ser assegurada pela pele, estes animais no necessitam utilizar os
pulmes, os quais, por consequncia, teriam tendncia para se atrofiar.
 Os representantes da famlia norte-americana dos Ambistomdeos so muito semelhantes s salamandras, no que respeita ao seu modo de vida; mas uma espcie conhecida 
por Axolotl tem um
ciclo vital muito curioso.  um animal grande, negro, robusto e indolente, assemelhando-se a um trito
gigante, com grandes tufos de brnquias de cada lado do pescoo. Encontra-se apenas em certos lagos
dos arredores da cidade do Mxico. Nunca sai da gua, e atinge a maturidade sexual no estado de
girino, dando ele prprio origem a girinos semelhantes. Em 1864, numerosos espcimes de axolotl
foram enviados ao Museu de Paris, onde foi possvel conseguir a sua reproduo em diversas geraes.
Contudo, um dia notou-se que alguns jovens de uma ninhada tinham perdido as brnquias e a crista
caudal, desenvolveram-se-lhes plpebras, ganharam colorao completamente diferente e haviam adquirido as manchas amarelas de salamandra! Verificou-se que aqueles 
pretensos adultos com
caracteres larvares eram na realidade girinos de uma espcie bem conhecida na Amrica do Norte,
Ambystoma tigrinum!
 Existem vrias espcies de Ambystoma, mas elas ultrapassam sempre o estado larvar de axolotl no
decorrer do seu desenvolvimento.
 Os animais que ficam durante toda a sua vida em estado larvar e se reproduzem sob esta forma,
sofreram neotenia ou pedogneses. No Ambystoma tigrinum, esta neotenia  acidental e deve-se 
falta de secreo da tiride e a metamorfose do axolotl em adulto pode ser obtida experimentalmente
pela ingesto de extractos de tiride. Julga-se que, em muitas espcies animais que manifestam
caracteres larvares, se est em presena de neotenia estabilizada, como se d em muitos vermes aberrantes.
 A persistncia da forma larvar durante toda a existncia, tal como se d nas salamandras, observa-se igualmente em outras espcies, particularmente nas salamandras 
da Amrica do Norte, da famlia dosPletodontdeos, que so privados de pulmes, ainda que muitos vivem presentemente nas plancies e
frequentem os rios de curso lento e os lagos. Cr-se que na origem elas viviam nos rios da montanha.
Um dos representantes mais marcantes dos Pletodontdeos  o tiflotrito (Typhlomolge), indivduo
cego, sem colorao e de membros delgados, que se encontra apenas nos cursos de gua subterrneos do Texas. Conserva a forma de um girino com brnquias, durante 
toda a sua existncia,
mas perdeu para sempre a possibilidade de metamorfose, que existe em potncia no Ambystoma.
 O elevado grau de sensibilidade dos membros desta famlia  condies externas  revelado pelo seguinte facto: dos ovos postos na gua nascem girinos podes, mas, 
se so postos em terra, o desenvolvimento prossegue antes da ecloso, at que os membros se formem, o que permite aos jovens,  nascena, arrastarem-se at  gua. 
Em certas espcies os jovens permanecem no corpo materno at final do estado larvar.  o caso do esperlepes (Hydromantis fusca). Encontra-se nas grutas dos Alpes 
Martimos e das montanhas do Norte da Itlia, trepando pelos rochedos escarpados que o cercam,  procura de alimento. Pequenos insectos e aranhas so capturados 
por ele, por meio de uma
enorme lngua extensvel, semelhante  do camaleo e utilizada como a dele.
 Enfim, existe um certo nmero de seres com aspecto de trites, mas diferem deles por certos factos
bem interessantes. Em primeiro lugar, possuem corpo longo, anguiliformes e membros degenerados.
Alguns deles podem ser tomados por girinos permanentes, porque nunca perdem as brnquias externas; em todo o caso, levam uma vida muito estranha.
 O primeiro dentre eles, o proteu (Proteu anguineus), que vive nas guas subterrneas da Carriola,  cego e sem colorao. Os membros so pequenos e apenas possuem 
trs dedos nos anteriores e dois nos posteriores; os olhos no so mais que vestgios cobertos de pele; tem trs pares de brnquias
externas, arborescentes e vermelhas!
A sirene lacertina (Sirene lacertina) do Sul dos Estados Unidos da Amrica, que se adaptou  vida de perfurao da vasa, entre os canaviais,  estreitamente aparentada 
com o proteu. O corpo  anguiliforme, e tem pares de brnquias externas e um s par de membros, os anteriores. O que h de
mais estranho nela  o revestimento crneo, semelhante a um bico, que constitui os dentes.
 A anfiuma (Amphiuma means), do Mississipi, assemelha-se muito  sirene lacertina, mas possui dois
pares de membros, muito curtos, com dois ou trs dedos nos anteriores e posteriores, e respira por
meios de brnquias internas.
 O Menopome ou Helbender (Cryptobranchus alleghaniensis), do mesmo grupo do anfiuma (sem
plpebras), do Sul da Amrica, e a salamandra gigante da China e do Japo (Megalobratrachus japonicus), que possuem membros bem desenvolvidos. Esta ltima  o maior 
representante vivo dos
Batrquios urodelos: pode atingir cerca de 1,50 metros de comprimento. Vive em buracos e fendas dos rochedos, nos cursos de guas das montanhas; o macho alcanou 
a reputao de pai cheio de solicitude.
Os ovos, do tamanho de bagos de uva, aglutinados entre si e dispostos como as prolas de um colar, so depositados em buracos sob os rochedos. Em seguida o macho 
afasta a fmea, muito voraz, at  ecloso. Porm, como ele prprio devora grande quantidade de ovos e juvenis, a sua "solicitude" pode
no ser to desinteressada como se julga.
 A salamandra-dos-poos, Pleurodeles waltli, que chega a medir 30 centmetros de comprimento,  de cor verde- garrafa ou verde-azeitona, e tem a particularidade 
de se defender, quando se lhe pega, salientando as pontas das costeletas, atravs de determinados pontos. Esta salamandra encontra-se
 exclusivamente na Pennsula Ibrica, no Sul e este, assim como em Marrocos. Com a espcie
 seguinte contribui para caracterizar uma fauna lusitana ou atlntica, relativamente antiga.
A chamada, impropriamente, salamandra preta, Chioglossa lusitanica, tambm chamada pelos alemaes por
 "salamandra-de-riscas-douradas" (goldstreifen salamander), aludindo s duas riscas dorsais de amarelo-cobreado, que se renem numa s, por cima da cauda, as quais 
contrastam com a cor
 geral castanho-escuro. Este nome evita a possvel confuso com a salamandra preta dos Alpes (Salamandra atra).]


Anuros
 
 
 As rs e os sapos, mais nossos conhecidos (representam cerca de 1200 espcies), constituem a ordem
dos Anuros, ou Batrquios.
 No se pode separar, de forma muito rigorosa, as rs dos sapos. Estes nomes servem, grosso modo,
para distinguir as espcies menos corpulentas, de pele lisa e membros curtos, designadas por sapos.
Todas possuem corpo curto, atarracado, e membros relativamente fortes, sendo os posteriores, em
geral, mais compridos. Os olhos so grandes e salientes, nota-se imediatamente atrs de qualquer deles
uma mancha circular que marca a posio do ouvido. A boca  extremamente grande, com pequenos
dentes, muito juntos, na maxila superior, e faltando na maxila inferior; no palato, existem grupos
de pequenos dentes. A lngua  muito grande, presa  frente ao pavimento bucal, de forma que a sua
extremidade posterior, profundamente chanfrada, fica dirigida para dentro, quando em repouso. Ele
desempenha um importante papel da sua presa; sai rapidamente da boca e, como est coberta de uma
secreo viscosa, a vtima fica retida, e  logo introduzida na gela. Os globos oculares esto separados
do palato apenas por uma membrana, de modo que, quando so retrados, formam, na boca, um canal
estreito que dirige a massa alimentar para o fundo da gela. As mos so utilizadas tambm para 
impedir que vtimas, como os vermes, se debatam enquanto so mantidos no ngulo formado pelas
duas maxilas.
 A respirao efectua-se pela elevao e decida do pavimento bucal, sendo o ar inspirado pelas
narinas e, fechadas estas, enviado aos pulmes. Com intervalos, no decorrer do Vero, a camada
superficial da pele  expelida. Fendendo-se ao longo do dorso, como sob o efeito de um golpe de
canivete, essa exvia  vivamente empurrada, para a frente e para baixo, pelas patas posteriores, e em
seguida apanhada pela boca e engolida. Mas quando os trites se desembaraam da exvia, deixam-na
flutuando na gua.
 Chegando o Inverno, as rs penetram na vasa do fundo dos lagos e charcos, e mantm-se num
estado do torpor at  Primavera, poca das npcias. Os ovos das rs so postos em grandes massas,
sob a forma de globos gelatinosos, tendo ao centro uma pequena esfera negra, o ovo propriamente
dito. Mas os ovos dos sapos dispem-se em longos cordes, lembrando rosrios. Os girinos so de cor
escura e dotados de brnquias externas - que sero substitudas por brnquias internas - e tambm de
longa cauda, que propulsiona o atarracado corpo. Alimentam-se utilizando dentes que formam como que uma grosa, em forma de funil.
 A vida larvar termina por um longo jejum, no decorrer do qual se desenvolvem as novas maxilas e a
boca definitiva; e, durante este tempo, a subsistncia  assegurada pela absoro gradual dos tecidos da
cauda, da qual resta apenas, na r ou no sapo juvenis, um simples coto que rapidamente desaparecer.
O regime alimentar passa de vegetariano a carnvoro, dele fazendo parte insectos e outros pequenos invertebrados.
 As diferenas anatmicas entre Urodelos e Anuros so muito acentuadas. As mais marcantes
consistem no desaparecimento das costelas, nas rs e nos sapos, e o desenvolvimento dos membros, principalmente dos posteriores, o que lhes d grandes possibilidades 
para o salto. A cintura plvica  formada por um par de compridas hastes que, atrs, se soldam entre si, e  frente se ligam ao sacro. A
bacia adquire assim a forma de forquilha, lembrando a que, nas aves,  constituda pelas clavculas. Os
fmures articulam-se com a extremidade posterior desta cintura.
 Conhece-se cerca de um milhar de espcies de rs e sapos. A r fosca da Europa (Rana temporaria)
pode ser considerada como a forma tpica da famlia dos Randeos. A espcie mais semelhante a clebre r verde ou r comestvel (Rana esculenta), que no  maior 
do que aquela, mas, na poca de npcias, desenvolve-se-lhes um par de sacos vocais, que, uma vez cheios de ar, formam de cada lado da
cabea dilataes volumosas do tamanho de belindres.
 A maior de todas as rs  a r-golas (Rana goliath), dos camares, que mede trinta centmetros de
comprimento e pode engolir um rato adulto.
 Nas espcies que se reproduzem nas torrentes de montanha, os ovos s eclodem se o girino  suficientemente grande para poder deslizar sobre as pedras, auxiliado 
pela cauda, grande e forte.
Tambm acontece que, nalguns destes girinos, se formam ventosas que lhes permite prender-se aos rochedos a despeito da corrente.  o caso da r peluda (Trichobatrachus 
robustus), dos Camares.  notvel o facto de os flancos e as coxas dos machos se cobrirem de espessa camada de filamentos de aspecto piloso, que tm funo respiratria. 
O macho parece no sair nunca da gua.
 Estados de reduo do perodo larvar encontra-se no Hylode, da Martinica, e na Rana opisthodon, da
ilha Salomo. Os ovos desta so muito grandes e o invlucro muito duro. Postos em terra, resistem  seca, permitindo assim que, pela grande quantidade de elementos 
nutritivos que contm, estes batrquios possuem o estado de girino dentro do ovo, saindo dele j no estado de pequenas rs.
 Outras espcies, como o racforo (Rachophorus), da Indo-Malsia e o Chiromantis, da frica, vivem
nas rvores, apresentando ventosas nas extremidades dos dedos, tantos dos membros anteriores como
dos posteriores, de modo que podem correr com agilidade ao longo dos troncos e ramos. Certas
espcies arborcolas perderam a necessidade de depositar os ovos na gua. A fmea, enquanto pe os
ovos, amassa com as patas traseiras uma substncia gelatinosa at a transformar numa espcie de espuma, cuja superfcie seca rapidamente. No interior da crosta assim 
formada, os ovos desenvolvem-se e, quando os girinos aparecem, a massa gelatinosa do interior liquefaz-se e eles saem, caindo na gua
que se encontra por baixo.
 Os sapos da famlia dos Brevicipitdeos adquirem hbitos escavadores e alimentam-se de trmitas.
Instalam-se no interior de uma termiteira, num buraco que d para uma das galerias de passagem, e
alimentam-se tranquilamente apanhando os insectos que passam ao seu alcance. Resulta aqui que a sua
forma se modificou consideravelmente. O corpo  obeso e a cabea extremamente encurtada, "arrebitada" de tal modo como o podia ser o nariz. Tm olhos pequenos e 
boca estreita; os membros
anteriores so finos e os posteriores esto munidos de uma espcie de p no calcanhar. Esta descrio
geral aplica-se a trs gneros distintos e muito afastados geograficamente: Glyphoglossus, do Sio,
Rhombophryne, de Madagscar, e Breviceps, da frica. Uma adaptao a condies alimentares semelhantes produziu, o mesmo resultado. Contudo, os membros desta famlia 
no levam existncia
idntica. Megophrys, um sapo malaio que se encontra nos cursos de gua, entre 600 a 900 metros acima do nvel do mar, tem um girino muito notvel, que difere de 
todos os outros conhecidos. Este nada verticalmente e tem os lbios transformados num grande funil, guarnecido interiormente de dentes em lima, que aplica  superfcie 
inferior das folhas das plantas aquticas ou  pelcula superior da gua para se alimentar. Convm notar que os girinos das rs e dos sapos comuns se alimentam
tambm desta maneira, mas os seus lbios no apresentam qualquer sinal desta estranha modificao.
Um outro girino da mesma famlia respira, quando ainda est no ovo, por meio da cauda, que  fortemente vascularizada, e est estendida imediatamente abaixo do invlucro 
externo do ovo, atravs do qual pode absorver o oxignio. Coisa surpreendente, os girinos do gnero Eleutherodactylus, completamente distintos, respiram de igual 
modo.
 O girino da r paradoxal (Pseudis paradoxa), da Amrica do Sul,  um dos mais notveis. Quando
atinge o mximo desenvolvimento, mede vinte e cinco centmetros de comprimento. Depois, quando comea a metamorfose para adulto, diminui rapidamente, a tal ponto 
que no mede mais de quatro
centmetros na ocasio em que se torna uma
ra! Na ra-de-darwin (Rhinoderma darwini), os sacos vocais do macho servem de "asilo" para os jovens - uso muito estranho,  certo! No se sabe como os ovos atingem 
de 17 girinos num tal saco, que se deleita para os poder conter. Finalmente, os jovens escapam-se pela boca do pai. A famlia dos
Leptadctilos, que abrange tanto a r paradoxal como a de r-de-darwin, compreende tambm um
outro grupo muito extraordinrio: as relas, vermelhas ou amarelas ["relas-de-tingir" lhes chamou o Dr. Avelar Brotero], sul-americanas (Dendrobates) so pequenas, 
mas ornamentadas de cores vivas, apresentando principalmente manchas contrastantes de verde, vermelho ou amarelo sobre um fundo negro. A exsudao da sua pele  
muito venenosa, e certas tribos indianas utilizam-nas para envenenar as flechas empregadas na caa grossa. [Eram tambm usadas para tingir de amarelo as penas verdes 
dos
papagaios.] As cores vivas do Dendrobates constituem um exemplo frisante da "colorao de aviso".
Estas rs pem os ovos no solo. Os girinos, na ecloso, prendem-se pela boca ao pai, o qual os leva at
o lago mais prximo, onde eles se deixam cair e comeam a sua vida aqutica normal.
 Os sapos propriamente ditos - famlia dos Bufondeos - distinguem-se das rs por terem a pele seca
e verrugosa, um par de grandes glandulares [parotides] na parte de trs da cabea, e as patas posteriores mais curtas.
 As relas pertencem  famlia dos Hildeos, muito comum nas regies australianas e americanas [designadas no Brasil por "pererecas"]. So representadas apenas por 
uma ou duas espcies na sia e na Europa. Estas relas manifestam uma grande variabilidade nos seus modos de reproduo.
 A maior parte vive nas rvores, e tem tambm, como as outras rs arborcolas, ventosas adesivas nas
extremidades dos dedos. Muitas dentre elas, como a rela verde da Europa (Hyla arbrea), so de um verde brilhante, outras apresentam zebraras ou estrias tendo todas 
o poder de mudar rapidamente de cor.
 Em grande nmero de representantes desta famlia, encontram-se casos interessantes de solicitude
dos pais. Nalgumas relas, grandes ovos, encerrados numa slida cpsula transparente, aderem ao dorso
da mae, que os transporta. Noutras, uma prega da pele, em forma de ferradura, constitui uma pequena
parede em volta dos ovos, a qual se desenvolve numa verdadeira bolsa, como na rela-de-bolsa (Gastrotheca), e se abre apenas na extremidade do corpo. O macho, sobre 
o dorso da fmea, empurra
com as patas os ovos para esta bolsa.
 Entre os "sapos-sineiros", da famlia dos Discoglossdeos, devem ser citadas duas espcies muito interessantes: os sineiro-de-ventre-de-foga (Bombinator igneus) 
e o sineiro-de-ps-grossos (B.
pachypus). So pequenos indivduos semiaquticos, cobertos de verrugas, cuja face inferior  manchada
de vermelho ou de amarelo vivo sobre fundo negro.  tambm "colorao de aviso", que est associada
a uma exsudao muito venenosa da pele. Quando esto em posio normal, a colorao ventral no
se v, mas logo que pressentem perigo, os sineiros deitam-se sobre o dorso, de barriga para cima, ou
levantam os braos e os ps, pondo em evidncia a colorao do ventre.
 O sapo-parteiro (Alytes obstetricans), do Sudeste da Europa, acasala-se em terra; os ovos so postos
sob a forma de dois rosrios, nas voltas dos quais o macho introduz as patas posteriores, para se
esconder em seguida, assim equipado, num buraco. Durante cerca de trs semanas, comporta-se como
verdadeira ama; se o tempo est seco, por exemplo, vai de noite mergulhar-se na gua que manter a humidade dos ovos. Logo que  atingido o estado de girino, ele 
dirige-se para o charco mais prximo e desembaraa-se do seu fardo.
 Na Pipa pipa ou sapo-de-surina [tambm conhecido no Brasil, por "cururu-p-de-pato"], a fecundao e, excepcionalmente, interna. Julga-se que os ovos eram colocados 
pelo macho sobre o
dorso da fmea  medida que ela os ia pondo. Mas est estabelecido que  a prpria fmea que coloca os ovos sobre o dorso. Alis ela possui, para este efeito, um 
ovopositor especial em forma de bolsa, que se projecta para a frente. Uma vez ali, os ovos aderem logo e penetram mesmo num pequeno
alvolo que se abre na pele, o qual consequentemente se espessa. Por fim, os ovos ficam completamente escondidos na pele e a permanecem at que os girinos estejam 
aptos para a metamorfose. [A este grupo de Anuros sem lngua (Aglossos) pertencem, alm da Pipa, e de mais dois gneros, Protopipa e
Hemipipa do continente americano, tambm os Xenopus, da frica, cuja espcie, X. laevis,  to
utilmente usada pelos analistas em determinados testes.]




CURIOSIDADES:
 

[ O sapo comum, Bufo bufo, tem toda a sua pele cheia de verrugas 
 O Pleurodeles waltli, do Sul e este da Pennsula Ibrica e 
de Marrocos,  conhecido em Portugal pelo nome de
 "salamandra-dos-poos" e em Espanha por "gallipato" 
 A Triturus cristatus  conhecida por "salamandra-de-gua", tem vasta disperso geogrfica, estende-se
desde a Rssia  Frana e  Inglaterra" 
 salamandra vulgar, Salamana Salamana, preta com grandes malhas amarelas, comum na Europa, na
sia Menor e Norte de frica. 
 O Triturus palmatus,  um urodelo vulgarmente 
conhecido por "trito helvtico". 
 Um Triturus marmoratus, encontrado na Frana e na Pennsula Ibrica,  uma espcie ovpara, encontradia em Portugal; 
suas cores so mais vivas na poca da reproduo. 
 A Salamandra-gigante, Megalobatrachus japonicus,  um urdelo criptobrnquio, conhecido no Japo por "hanzaki" 
e que pode atingir 1,60 metros de comprimento. Vive, no estado nativo, exclusivamente na montanha da ilha de Hondo. 
 Um Chioglossa lusitanica,  impropriamente chamada de "salamandra-preta" (prefervel: salamandra-de-riscas-douradas), sua rea geogrfica se restringe apenas a 
Portugal e
o Noroeste da Espanha. Tem de caracterstico a lngua em forma de cogumelo. 
 Uma Rela, Hyla arbrea, tem hbitos nocturnos, descansa durante as horas calmas do dia. Em Portugal,
est representada por duas subespcies, molleri e meridionalis, esta bastante frequente. 
 O sapo-parteiro, Alytes abstetricans, um sapo de voz melodiosa, cujo nome se deve a facto de o macho
transportar, nas patas traseiras, os ovos durante o perodo de incubao (20 dias), tendo o cuidado de os
molhar para que no sequem. 
 O Hylambates palmatus, randeo encontrado na ilha do Prncipe,  uma espcie cuja distribuio se
estende a outras ilhas do golfo da Guin e aos Camares. 
 O pipa ou cururu-p-de-pato, Pipa, anuro aglosso, da Amrica do Sul,  frequente no Par, em cujo
mercado se encontra  venda como iguaria apreciada.  tambm conhecido por "sapo-de-surina". A fmea
transporta os ovos em incubao nas pequenas fossetas da pele do dorso, favorvel ao seu desenvolvimento. 
 O sapo castanho, Pelobates fuscus, te um cheiro caracterstico a alho e pupila vertical. Vive na Europa
Oriental e Ocidental at  Frana. 
 A Rana temporaria, r de vasta distribuio geogrfica, desde a Europa Central ao Japo. O seu nome
especfico alude ao facto de s temporariamente aparecer na vizinhana da gua.]


Veneno de Batrquios e Ranicultura


[A pele dos Batrquios possui numerosas glndulas que segregam, um lquido viscoso. Esta secreo
mucosa torna-a escorregadia e provoca irritabilidade na pele dos Batrquios.
 2 tipos de glndulas existem na pele dos Batrquios: as glndulas mucosas e as granulosas, estas muito
desenvolvidas, ambas produtoras de secreo venenosa.
 As glndulas granulosas podem formar pregas, verrugas mais ou menos salientes, ou constituir grandes
massas, com finos poros, designadas "parotides", situadas em determinadas regies do corpo. Nos sapos
podem atingir grande volume, encontrando-se na cabea, atrs dos olhos, como, por exemplo, no sapo
vulgar (Bufo vulgaris), prolongar-se at a  espdua, como no grande sapo da Amrica do Sul, conhecido
no Brasil por "cururu" (Bufo marnus). Na salamandra terrestre (Salamandra salamandra) estendem-se ao
longo do pescoo.
 O poder custico destas secrees  muito varivel. Quase nulo no proteu (Proteu anguines),  intenso
em muitos Batrquios, quer Anuros, como sapos e rs, at mesmo na prpria r verde (Rana esculentan), quer Urodelos, como trites e salamandras.
 Mesmo naqueles Batrquios cuja pele parece lisa, a olho nu, por no apresentar pregas ou massas
glandulares, existe a secreo venenosa, que pode ser perigosa para outros animais. A prpria rela (Hyla
arbrea) no  desprovida de secreo irritante.
 Cite-se ainda o caso de pequenos Batrquios da Amrica do Sul, do gnero Dendrobates, cujo veneno 
utilizado pelos ndios para envenenarem as flechas, e cuja aco parece idntica  do curare.
 No s as glndulas cutneas dos Batrquios possuem aco txica: esta existe tambm no sangue.
Contudo, pode dizer-se que estes venenos so inofensivos para o Homem, visto a estrutura da pele humana
no facilitar a absoro das secrees txicas, e estes animais serem desprovidos de qualquer rgo inoculador.
 Em todo o caso, deve haver o cuidado de no mexer nos olhos depois de se lhes ter tocado, para evitar
srias irritaes da mucosa.

A carne de diversos Batrquios  aproveitada na alimentao. Mas a mais procurada  a de rs, tanto na Amrica, onde o consumo  importante, sendo utilizados os 
indivduos de
grande corpulncia, por exemplo a ra-boi (Rana pipiens), como em diversos pases da Europa; Frana, Blgica, Holanda, Alemanha, Espanha, etc. Na Europa, as espcies 
mais
utilizadas so a r verde (Rana esculenta), a r fosca (Rana temporaria), a r ibrica (Rana iberica), etc.
 Na frica Ocidental, os autctones aproveitam a ra-rolias (Rana goliath), a maior espcie de rs, que pode atingir trinta centmetros de comprimento, ao passo que 
nas regies sulafricanas  muito procurado um outro randeo de grande corpulncia, Pyxicephalus aspersus.
 De igual modo, na China, emprega-se a carne de r na alimentao. So principalmente
procuradas a Rana tigrina e a Rana amurensis.
 H, nalguns pases, comrcio importante deste anfbio, nos mercados, cujo fornecimento provm, principalmente, de pescas feitas  linha ou rede em lagoas e charcos.
 Diversas tm sido as tentativas para estabelecer parques de ranicultura, o que, melhor ou
pior, foi conseguido, apesar da dificuldade da sua manuteno, devido a causas vrias, como a obteno de alimentos, a mortandade a que esto sujeitos os girinos 
e o prprio
canibalismo praticado por estes animais. Contudo, nos pases onde o consumo  grande, tm sido criados parques ou viveiros, como nos estados americanos de Lusitana, 
Minesota,
etc., que fornecem grande quantidade de rs, no s para a alimentao como para trabalhos
cientficos em laboratrios
 Tambm em Frana o nmero de comerciantes de rs e considervel, principalmente em
Paris. Noutros pases como Alemanha Meridional, Blgica, Itlia, etc., este comrcio est
menos desenvolvido, bem como em Espanha..
 Em Portugal, tudo se reduz  apanha das rs e salamandras nos charcos, lagos e lagoas, feita por indivduos dedicados a esta modalidade, que depois as vendem principalmente 
para
trabalhos laboratoriais.
 Deve notar-se que no s os Anuros so utilizados na alimentao, mas muitos urodelos
tm a mesma aplicao, como sucede com a salamandra gigante do Japo e China, Megalobatrachus japonicus, que pode atingir 1,60 metros de comprimento.]



RPTEIS


Para muitas pessoas, salamandras e rs, lagartos e serpentes, todos so Rpteis, ainda que, na
realidade, estes animais pertencem a dois grupos bem distintos.  certo que a uns e outros se aplica a
denominao de "animais de sangue frio". Todavia, os trites e as rs, que tm a pele nua, sa
Batrquios, ao passo que os Rpteis tm-na coberta de escamas crneas, e nunca respiram por brnquias, nem mesmo nos estados mais precoces do seu desenvolvimento. 
Os representantes dos dois
grupos, tm origem comum. Alm disso, a estripe que se tornou verdadeiramente reptiliana originou,
os antepassados donde provieram as Aves e os Mamferos.
 Os Rpteis fsseis mais antigos que se conhecem foram encontrados nas camadas mais recentes do Carbonfero; mas como se encontram, pelo menos, cinco ordens diferentes 
nas camadas imediatamente superiores,  admissvel julgar que os Rpteis se originaram muito antes da poca em que foram
encontrados os seus fsseis mais antigos.
 Os Rpteis atingiram o apogeu do seu desenvolvimento durante o Trissico, e o seu predomnio durou at ao fim do Cretcico, perodo abrangendo mais de uma centena 
de milhes de anos, no
decorrer do qual eles foram os serres dotados de mais elevada organizao. Alguns tinham forma
estranha e dimenses gigantescas.


Rpteis Extintos
 
 
Ictiossauro e Plesiossauros
 
 
 Estes rpteis so muitas vezes designados, por linguagem popular, e com certa razo, por "drages-do-mar". Os primeiros assemelham-se muito aos golfinhos, semelhana 
evidenciando convergncia e salientada quando a aparncia pode ser enganadora, visto que os golfinhos so mamferos e os
Ictiossauros so Rpteis, sem dvida, como se comprova pelo o facto de a maxila inferior ser composta de diversas peas e articular-se ao crnio por intermdio do 
chamado osso quadrado. Estes caracteres so particulares dos Rpteis. Contudo, tais Rpteis marinhos de outras eras eram menos especializados
do que qualquer baleia actual. Possuam quatro membros, sem qualquer semelhana exterior com os
dos rpteis terrestres. Por exemplo, o estilopdio (segmento proximal) era curto, e os ossos do
zeugopdio (segmento mdio) - semelhantes aos do atudo, isto , do carpo ou tarso e das falanges -
constituam no seu conjunto um verdadeiro mosaico.
 Revestidos de pele, os membros formavam barbatanas que no seria fcil distinguir exteriormente das de uma baleia. Possuam igualmente uma barbatana dorsal, que, 
como a das baleias, no tinham uma barbatana dorsal, que as diferia fundamentalmente da dos peixes. A barbatana caudal estava disposta verticalmente, como a dos 
peixes, mas os ossculos da cauda curvavam-se bruscamente para baixo; apenas o lobo inferior era sustido por esqueleto.
 As espcies mais antigas tinham grandes dentes cnicos nas duas maxilas, mas, antes de desaparecerem definitivamente, certos Ictiossauros perderam todos os dentes: 
outra semelhana com as
baleias. Alguns mediam at 9 metros de comprimento. Os Plesiossauros assemelhavam-se aos Ictiossauros, diferindo por possurem o pescoo longo e delgado, membros 
menos especializados, mantendo-se o
brao e o antebrao distintos, no formando com os vossos do corpo e numerosas falanges dos dedos um mosaico unido. Os mais antigos fornecem alguma luz sobre a evoluo 
dos dois tipos de rpteis marinhos, porque os membros anteriores e posteriores eram tipicamente reptilianos, ainda que
aquticos, vivendo sem dvida, em parte, sobre as margens, onde vinham repousar.  medida que a
sua vida se tornou predominantemente aqutica, os membros foram-se transformando, gradualmente, em barbatanas.
 
 
Pterodctilos
 
 
 Os "drages-voadores" fazem grande contraste com os "drages-do-mar", porque, como as aves e os
morcegos, se deslocavam voando. Tal como os morcegos, voam por meio de asas cutneas. Nenhum
outro animal, antes deles, possuiu asas assim, estendendo-se esta asa membrana ao longo do brao e de
um dedo extremamente comprido. Nos morcegos, existe uma membrana semelhante, mas sustida por
quatro dedos. Na ave, a asa membrana est coberta por longas penas chamadas rmiges.
 Os Ptrerodctilos mais antigos que se conhecem no eram menores do que os melros e tinham dentes
nas maxilas. Muito provavelmente, eram insectvoros. Pelo contrrio, os ltimos sobreviventes da estirpe, como o Pteranodon, dos calcrio de Cansas, tinham a envergadura 
de sete metros. Possuem
igualmente enorme bico, revestido de bainha crnea, semelhante ao das aves; aparentemente
alimentavam-se de peixes. A perda dos dentes foi gradual, porque em certas espcies somente a parte
posterior das maxilas ainda os conservava, estando a parte anterior encerrada na bainha crnea. Os
membros posteriores eram extremamente delgados e serviam, sem dvida, como nos morcegos, simplesmente para suportar o corpo, quando estes rpteis se suspendiam de 
cabea para baixo para
repousar.


Dinossauros
 
 
 Um outro grupo que no deixou descendentes directos  o dos Dinossauros, apesar de, segundo
parece, provirem de uma origem comum  dos crocodilos. Os mais antigos tinham muito pequenas
dimenses. Alguns eram terrestres, outros aquticos; uns herbvoros, outros carnvoros. Contudo, os
tipos mais recentes atingiram uma corporativa espantosa: so os maiores animais terrestres, outros
aquticos; uns herbvoros, outros carnvoros. os prprios elefantes parecem anes comparados com eles. O Braquiossauro do Jurssico, por exemplo, tinha a altura 
total de 25
metros. Em vista do extremo alongamento do pescoo e da configurao do corpo, -se levado a crer
que ele frequentava os lagos e os pntanos.
 Muitas espcies eram bpedes. O iguanadonte, o mais conhecido dentre eles, media quatro metros e
meio de altura e sete metros e meio de comprimento total. Os membros anteriores no serviam de
apoio ao corpo, que era suportado pelos posteriores, muito semelhantes aos das aves, e s tinham trs
dedos. Possua uma formidvel fiada de dentes trituradores, mas, na extremidade anterior do crnio, os
dentes eram substitudos por placas crneas.
 Algumas espcies mais notveis eram as dos Dinossauros couraados, os quais apresentavam o corpo
coberto por uma armadura de placas e de espinhos. O estegossauro possua, ao longo do dorso, da
cabea e da cauda, uma srie de placas sseas assemelhadas a uma dupla srie de pedras, estando a
extremidade da cauda armada de pares de enormes espinhos. Dentre os mais extravagantes, devem citar-se os Dinossauros com cornos, como o Styracosaurus e o Triceratops. 
Havia numerosas espcies,
mas todas tinham na parte posteriores do crnio um prolongamento por cima do corpo, com a forma de
uma grande gola ssea, e possuam grandes espinhos, tambm sseos, na face, semelhantes a cornos de
rinoceronte.
 No Styracosaurus, a gola estava recortada em grandes espinhos sseos. No Triceratops, que
ultrapassava muito a corpulncia de um elefante, pois que media 7,50 metros de comprimento e pesava
cerca de 10 toneladas, esta gola tinha o rebordo festonado. A maior parte dos representantes deste
grupo pertencia ao Cretcico superior e constitui os produtos finais da evoluo dos espantosos Dinossauros.
 Entre os Dinossauros com bico, uns eram bpedes, outros quadrpedes, mas todos apresentavam um
enorme desenvolvimento do crnio e das maxilas, e, nalguns casos, do restante esqueleto. Um outro
carcter comum a todos os Dinossauros era o tamanho extraordinariamente reduzido do crebro, em
relao  imponente massa do corpo. Mas o mesmo se poderia dizer de todos os Rpteis.
 Os Dinossauros servem, ultimamente, de termo de comparao com as espcies actuais dos Rpteis,
restos irrisrios de um grupo que outrora dominava o Mundo.


Rpteis Actuais


Rincocfalos
 
 
 Dos Rpteis vivos, um dos mais interessantes , incontestavelmente, a hatria ou tuatara da Nova
Zelndia (Sphenodon punctatus), que se assemelha a um surio, mas possui caracteres anatmicos que
fazem dele o verdadeiro fssil vivo.
  o mais arcaico dos rpteis actuais e o nico representante vivo desta ordem; no entanto,
obtiveram-se numerosas outras espcies fsseis do seu grupo, que viveram no longo perodo que vai
desde o Prmico ao Cretcico.
 A tatuara, nica espcie sobrevivente do importante grupo dos Rincocfalos,  hoje muito rara e
encontra-se apenas nas ilhas do Estreito de Cook, na Nova Zelndia, onde coabita, em covis, com uma
ave ocenica, o petrel.
 Os ovos, que tm um invlucro coriceo, so abandonados ao sol a fim de serem incubados pelo
calor; o perodo de incubao  notvel pela durao, que  de treze meses! Uma das particularidades mais extraordinria da tuatara  possuir o terceiro olho, a 
meio da parte superior da cabea, que se chama olho pineal [rgo parapineal ou parietal]. Deles se encontram vestgios na maior parte dos
surios e noutros vertebrados. [No deve, porm ser confundido com a glndula de secreo interna,
existente nas Aves e nos Mamferos, e designada por rgo pineal ou epfise.]


Crocodilianos
 
 
 Parecem ser indolentes e sonolentos. Encontram-se nas regies tropicais e subtropicais, deixando de
existir na Europa a partir do Mioceno. [So diversas as sries evolutivas dos crocodilianos,
diferenciadas pelo recuo progressivo das narinas internas, individualizao progressiva da abbada
palatina, transformao das vrtebras do tipo anficlio em prcelicas, etc.]
 Os crocodilos e aligatores do nosso tempo adaptaram-se a uma vida semiaqutica. Quando repousam em terra, parece mais troncos de rvores abatidas do que animais 
vivos; esta aparncia
enganadora  ainda acentuada pela armadura de placas sseas e crneas, estreitamente justaposta, e
que, na aresta da cauda, formam uma franja denteada.
 Quando repousam na gua, os crocodilos mal se distinguem, porque apenas as narinas e os olhos sobressaem da longa cabea pontiaguda, e, alm, por vezes, de uma 
parte do dorso,  tudo o que se apercebe  superfcie. Apesar de se alimentarem principalmente de peixes, eles prendem com as
formidveis maxilas, armadas de terrveis dentes, qualquer animal terrestre que se aventure na gua ou que se aproxime da margem para viver. Animais de grande corpulncia, 
e at o homem, so muitas vezes assim apanhados e arrastados para a gua, morrendo afogados, porque os crocodilos, mergulhando, podem manter-se na profundidade em 
virtude da reserva de ar nos seus numerosos e
amplos sacos pulmonares. Alm disso, mesmo apenas submersos com as narinas aflorando  superfcie e tendo a boca aberta, continuam a respirar, visto que as narinas 
internas se situam atrs do septo naso-bucal, o qual impede a passagem da gua para a laringe.
 As diferenas entre os crocodilos e os aligatores so pequenas. A mais evidente  a estreiteza do focinho no crocodilo, no qual os fortes "caninos" da maxila inferior 
se alojam, quando a boca est fechada, em entalhes laterais da maxila superior, ficando sempre visveis. No aligtor, estes dentes
alojam-se, em depresses correspondentes da maxila superior. Na poca de npcias, os encontros dos
indivduos dos dois sexos so facilitados pela audio e o olfacto, porque nesta ocasio os machos
costumam emitir sons que podem ser ouvidos a um quilmetro de distncia. Alm disto, os indivduos
dos dois sexos emitem um cheiro almiscarado proveniente de um par de glndulas cutneas situadas nos
lados externos da garganta, e de um outro par,  entrada da fenda cloacal.
 Os ovos, medindo aproximadamente o dobro dos ovos de galinha, tm casca dura.
 Uma postura pode ser constituda por 20 a 90 ovos, Crocodylus niloticus, o crocodilo do Nilo, pe os
ovos numa cavidade escavada na areia com a profundidade de 45 a 60 centmetros. So depositados em duas
camadas separadas por uma camada de areia. O Crocodylus cataphrctus, de nuca couraada, da frica
Ocidental, e o Aligtor mississipensis, de focinho comprido e achatado, da Amrica do Norte, pem os
ovos no meio de uma massa de detritos vegetais, onde a incubao est assegurada, em grande parte,
pelo calor proveniente da decomposio dos detritos.
 A mae fica na proximidade do ninho e ajuda os jovens a libertar-se, desenterrando-se, logo 
solicitada por meio de um pequeno grito, semelhante a soluo, soltado pelo jovem, e, em seguida,
conduz-lo  gua.
 Muitas espcies hibernam durante a estao fria, mas, pelo contrrio, certas espcies tropicais
passam ao estado de sono estival, quando, na estao quente, os lagos esto secos. A maior espcie de
crocodilos  o Crocodylus porosus, de crista dupla, nico que penetra na gua do mar. Diz-se que pode
atingir dez metros. Outros, porm, como Jacaretinga palpebrosus, o jacar-coroa do Brasil, no
chegam a atingir dois metros de comprimento. Gavialis gangeticus, o gavial do Ganges, e Tomistoma
schlegeli o falso-gavial, so crocodilianos que possuem longo focinho afilado e grandes dentes acerados
que se intercalam., isto , os da maxila inferior encaixam-se entre os da maxila superior. Comem
peixes, e o carcter particular da dentadura  uma adaptao a este tipo de alimentao.
 Foi dito que apenas uma nica espcie de crocodilo se se aventura a entrar no mar. No Jurssico,
existia um crocodilo (Geosaurus) que era to marinho como os Ictiossauros ou como os Cetceos
actuais. Os seus membros tinham a forma de barbatanas, como as da baleia, e a cauda era longa e inflectida para baixo, como a dos Ictiossauros.


Quelnios
 
 
 As tartarugas so dos mais notveis Vertebrados, tanto fsseis como actuais, por causa da extraordinria transformao que se operou no seu esqueleto. Na tartarugas-lira 
(Dermochelys
coriacea), a coluna vertebral e as costelas conservam-se distintas, como em todos os outros rpteis, mas
esto ocultas por uma espessa carapaa, formada pela reunio de inumerveis pequenos ossos
imbricados de maneira a constiturem uma cobertura completa - o escudo dorsal. As placas sseas
esto embutidas numa pele coricea, e tudo o que se v no animal vivo so seis fiadas longitudinais de
grandes placas sseas. Na maior parte dos outros Quelnios, a carapaa ssea externa, devido ao desaparecimento dos msculos do dorso, liga-se s costelas e s neurapfises 
das vrtebras, formando uma carapaa forte, que refora notavelmente o esqueleto interno. O escudo compe-se de dois elementos diferentes. Exteriormente,  coberto 
por uma srie de placas crneas simetricamente dispostas, s escamas; retiradas estas, fica  vista a carapaa do corpo, formado por elementos sseos
comparveis aos encaixados na pele da tartaruga-lira, assim como as costelas. A superfcie inferior do
corpo est protegida de maneira idntica por uma placa ssea, o plastrao. E deste modo se constitui
uma espcie de caixa, aberta  frente para dar passagem  cabea, ao pescoo e aos membros
anteriores, e atrs para sada dos membros posteriores e da cauda.
 As maxilas esto revestidas de invlucros crneos, nas no h dvida de que os antepassados das tartarugas possuam dentes (palatinos e pequenos dentes maxilares).
 Os Quelnios apareceram pela primeira vez no Trisico com o aspecto que tm, embora tenham
passado por vrias modificaes e especializaes.
 Esta ordem divide-se em duas subordens: Criptodiros, abrangendo as espcies cujo pescoo retrctil se dobra cepticamente (incluindo os Trioniqudeos, que j foram 
considerados como subordem distinta); Pleurodiros, cujo pescoo, no retrctil, se dobra horizontalmente.
 
 a) Criptodiros. - Os representantes desta sobreordem so vulgarmente designados "tartarugas
com pescoo de serpente" e abrigam a cabea na carapaa dobrando o pescoo em forma de S, num
plano vertical. Quase todas tm a carapaa coberta por placas crneas. Esta sobreordem comporta a
maioria das tartarugas e abrange numerosas famlias. A primeira dentre elas, a dos Quelidrdeos, compreende a "tartaruga feroz" (Chelydra serpentina), bem conhecida 
no Leste dos Estados Unidos da Amrica sob a designao de snapping turtle, e alligator snapper, a tartaruga de Temminck (Macrochelys temmincki), das bacias do Mississipi 
e do Missuri. So ambas animais grandes e possantes, com cabea bastante forte, maxilas terrivelmente impressionantes e grande cauda. Alimentam-se de peixes; so
temidas pelos banhistas e pescadores em virtude da sua natureza agressiva e das suas terrveis mordeduras. A tartaruga de Temmink no caa, mas atrai as vtimas 
para as devorar. A sua carapaa,
com longas cristas, confunde-se com o leito do curso de gua sobre o qual ela se acaala; o aspecto 
ainda mais acentuado quando agita pores da pele do pescoo e das patas, de modo que o corpo se
assemelha a uma grande pedra coberta de ervas. Enfim, a tartaruga abre a boca de maneira a expor
duas excrescncias esbranquiadas, semelhantes s larvas, que servem de isco para atrair os peixes a uma verdadeira armadilha.
 As tartarugas odorferas da famlia dos Quinosterndeos constituem um pequeno grupo de tartarugas
de gua doce, cujo comprimento raramente ultrapassa trinta centmetros. Tornam-se notveis pelo
facto de muitas das suas espcies espalharem um cheiro almiscarado, proveniente de um par de
glndulas situadas na regio anterior dos membros posteriores, semelhante ao que emitem certos crocodilos. Por outro lado, o plastrao possui uma charneira transversal, 
de modo que, quando os membros se recolhem, a carapaa pode fechar-se pelo rebatimento, para cima, das duas metades do
escudo ventral at se encostarem ao dorsal. Todas estas tartarugas vivem na Amrica do Norte e
Central. As tartarugas da famlia do Testudinndeos esto espalhados por todo o Mundo. Algumas so
absolutamente aquticas, outras completamente terrestres, existindo entre estes extremos todas as
gradaes possvel. As slider terrapins da Amrica do Norte abrangem a magnfica tartaruga pintada
(Chrysemys picta), que se cria muitas vezes em aqurio. Muitas destas tartarugas so comestveis, mas a
sua carne no pode ser comparada pela delicadeza do paladar,  da tartaruga-diamantina
(Malacoclemys centrata), que frequenta os ancoradouros e os esturios do Sul dos Estados Unidos,
alimenta-se de lagostins e burris. Foram criadas granjas de tartarugas para evitar sua exterminao
total. O cgado da Europa ou tartaruga de Brenne (Emys orbicularis), dos rios e charcos da Europa,
que se alimenta de insectos aquticos, de girinos de rs e de peixes,  muitas vezes conservado em
cativeiro.
 Tal como as tartarugas almiscaradas, a tartaruga-caixa (Terrapene carolina) da Amrica possui um
plastrao com charneiras, que lhe permite fechar completamente a carapaa.
 Deve reservar-se um lugar de primeiro plano, ao gnero Testudo, para as tartarugas gigantes, em
extino; nalgumas delas a carapaa tem mais de 1,20 metros de comprimento e pesa 300 quilos!
 H dois sculos, havia trs grupos dessas tartarugas. As tartarugas foram primeiramente
exterminadas nas ilhas Mascarenhas, onde se concentraram, por importao nada menos de 30000 na ilha Maurcia, no espao de 18 meses. A maior de todas as tartarugas 
conhecida era a Colossochelys atlas, dos Montes Siwaliks (ndia), espcie actualmente extinta, que media 2,50 metros.
 A tartaruga-cauane (Caretta caretta), a tartaruga imbricada (Eretmochelys imbricata) e a tartaruga-franca (Chelomia myda) so completamente marinhas e, de acordo 
com este modo de vida, as patas tm o aspecto de barbatanas. S vm a terra para a postura, arrastando-se na praia durante a noite e
escavando buracos na areia para a deporem os ovos. Depois de terem enchido estes buracos e de os haverem tapado, voltam para o mar. [A tartaruga-cauane, bastante 
agressiva,  uma das maiores
tartarugas marinhas.  carnvora, alimenta-se de peixes, crustceos, moluscos, etc., e prefere as guas
pouco profundas. No tem grande valor econmico; a sua carne,  de qualidade inferior.] A carapaa
da E. imbricata  constituda por escamas imbricadas, que  utilizada em diversos artefactos e vendida
no comrcio. A tartaruga-franca  designada green turtle (tartaruga verde) pelos Anglo-Saxes, por
causa da cor verde da gordura. Embora omnvora, prefere as plantas marinhas e pode atingir 1,20 metros
de comprimento.
 A tartaruga-lira (Dermochelys coriacea), tambm marinha,  o maior Quelnio da actualidade, pois
mede at 1,80 metros e pesa cerca de uma tonelada. [No Brasil, chamam-lhe tartaruga-de-couro.] As patas
anteriores esto transformadas em enormes barbatanas, enquanto as posteriores tm a forma de remos, curtos e largos.  exclusivamente carnvora, alimentando-se de 
moluscos, crustceos e peixes. A boca e a faringe so inteiramente revestidas por uma enorme quantidade de longas excrescncias cnicas
espinhosas, dirigidas no sentido do esfago. 
 
 b) Pleurodiros. - A Podocnemis expansa, tartaruga-grande-do-amazonas, vive nas guas do
Amazonas e alimenta-se de folhas, sementes e frutos que caem na gua [s na falta de frutos se
conforma com a alimentao crnea].  uma das raras espcies exclusivamente aquticas desta
sobreordem. So muito procurados os seus ovos por causa da gordura que contm. A Hydromedusa
maximiliani, o cgado-de-pescoo-de-cobra, que vive nos pntanos do Brasil, tem o pescoo extraordinariamente longo para apanhar peixes que passem ao seu alcance; 
quando est acaapada na
vasa, projecta bruscamente a cabea para a frente. [A H. tectifera, tambm de pescoo comprido 
frequente no Brasil, estendendo-se ao Uruguai e  Argentina.] A tartaruga Chelys fimbriata, da
Amrica do Sul, conhecida no Brasil por mat-mat, tem o aspecto de um pedao de casca rugosa,
com o pescoo coberto por excrescncias cutneas arborescentes filamentosas, que, em conjunto, lhe
asseguram um disfarce muito eficaz. O animal dele tira proveito estendendo, como isco, uma longa
lngua vermelha e veriforme, para atrair pequenos peixes de que se alimenta. [O seu cheiro
desagradvel a lama podre defende-o dos possveis ataques, no dos Amerndios que lhe apreciam a
carne, mas dos civilizados, que a desprezam.]
 
 c) Trioniqudeos. - As Trionyx vivem na vasa dos rios de curso lento e dos pntanos, na frica, sia e
Amrica do Sul. O escudo e o plastrao so de reduzido tamanho, de modo que apenas cobre pouco
mais de metade do corpo. No possuem placas crneas, e toda a superfcie est coberta por pele lisa.
Os ps so dotados de palmaras e apenas trs unhas. As maxilas, dissimuladas por lbios carnudos, tm
bordos cortantes e acerados nas espcies que se alimentam de peixes, e superfcies trituradoras nas que
se alimentam de moluscos.
 A sua carne  tambm muito apreciada. So vrias as espcies de Trionyx; uma das mais frequentes
 T. triunguis, da frica, que pode viver tambm no mar; T. ferox, da Amrica, etc.

Os inimigos das tartarugas so muitos. Alm da pesca promovida pelo Homem e da mortandade feita em terra quando vm fazer posturas, as tartarugas so presas tambm 
de
mamferos carnvoros (hiena, chacal, etc.) e de aves de rapina (abutres, guias, etc.),
principalmente quando ainda jovens ou acabadas de sair dos ovos. As tartarugas marinhas so muitas vezes atacadas por tubares. Eles, em geral, no tm grandes meios 
de defesa,
limitando-se a recolher na carapaa a as regies mais vulnerveis.
 As mais agressivas defendem-se mordendo e lutando com os pescadores, que muito as temem. Pode-se dizer que as tartarugas esto sujeitas a verdadeiras hecatombes. 
 natural e
bem necessrio que venham a ser postas ao abrigo das leis de proteco  Natureza.
 
 
Surios
 
 
 Os Surios ou Lacertdeos so frequentemente confundidos com as salamandras e os trites apenas semelhana superficial, mas diferem deles por caractersticas anatmicas
importantes. Nos Surios, ao contrrio dos Batrquios, o corpo est revestido de escamas crneas, que podem ser pequenas e granulosas, ou grandes e imbricadas, ou 
ainda
transformadas em espinhos ou ndulos sseos, inclusos na pele.
 Os Gecondeos (osgas) so pequenos e tm a pele do dorso granulosa; a cabea 
grande, o corpo relativamente curto, atarracado, e os membros so finos. So insectvoros e encontram-se em todas as regies tropicais. Os olhos no tm plpebras, 
mas so
protegidos por um revestimento transparente semelhante a um vidro de relgio, e, por isso, o seu olhar  fixo. Na maioria das espcies, em geral trepadoras, os dedos 
posteriores so
largos e possuem, na face inferior, espaamentos adesivos, formados por lamelas transversais, revestidas de numerosas excrescncias filamentosas, que lhe do um 
aspecto
aveludado. A pata est assim apta a aderir a qualquer superfcie, adaptando-se s menores irregularidades. Algumas das espcies subterrneas apresentam certas modificaes 
das
patas. No Palmatogecko dos desertos, do Sudeste Africano, os dedos anteriores e posteriores tm palmaras, que permitem ao animal caminhar mais facilmente na areia 
e
introduzir-se nela. Na sua maioria, os Rpteis so desprovidos de voz, mas os Gecos devem o seu nome  emisso de uma espcie de som grave, ou melhor, de estalido 
que soa como
gec-co.
 [Em Portugal, os Gecondeos so vulgarmente conhecidos por "osga".  muito frequente, bem como em toda a Pennsula Ibrica, a Taretola mauritanica, inofensiva, 
grande caadora
de insectos, que, por vezes, se encontra dentro das casas.]
 O geco-de-cauda-chata ou geco-casca (Uroplates fimbriatus), de Madagscar,  relativamente grande, medindo cerca de 35 centmetros de comprimento, tem o corpo pintalgado 
de
manchas irregulares negras e verde-lquen, e os olhos so de um tom doirado com estrias verticais vermelhas; os discos-ventosas dos dedos posteriores so grandes 
e largos, assim como a cauda, de modo que, quando o animal repousa sobre um tronco, fica perfeitamente camuflado. Uma subespcie deste geco, de menor corporatura, 
tem faixas castanhas
irregulares e zebruras vermelhas.
 O geco-voador ou geco-pra-quedas (Ptychozoom kuhli), da Malsia, tem nos lados da cabea, do corpo, dos membros e da cauda, uma excrescncia membranosa da pele 
que,
quando o animal repousa, d lugar a que se confunda com a casca das rvores.
 Os Cincdeos so os mais vulgares de todos os Surios e esto representados por uma admirvel gama de cerca de 400 espcies. Tm o corpo coberto por grandes escamas
imbricadas e escorregadias. O Trachysaurus rugosus, ou lagarto-de-coto-caudal, da Austrlia,
protegido por uma estreita armadura de escamas quadrangulares, mede cerca de trinta centmetros, mas o seu prximo parente, o cincdeo-gigante-de-lngua-azul, Tilliqua
scincoides gigas, da Nova Guin, atinge sessenta centmetros de comprimento. Os Cincdeos
vivem essencialmente sobre a areia ou na areia, e numerosas espcies esto to bem adaptadas a este modo
de vida que seu corpo se tornou logo serpentiforme, estando as patas reduzidas a simples vestgios. Certas espcies de Lygosoma so completamente podes e semelhantes 
a
serpentes, e nelas o olho est recoberto por um disco crneo e transparente, tendo o ouvido desaparecido por completo, como nos Gecos. No cincdeo Scincus scincus, 
da frica do
Norte e da Sria, os dedos esto revestidos por franjas de escamas eriadas que os transformam em ps escavadoras muito eficazes. Isso permite ao animal penetrar 
na areia
fina, e a deslocar-se, com movimentos de natao, a uma velocidade tal, que, se um espcime capturado se escapa e cai na areia, logo num instante penetra a profundidade
considervel. [ Os Cincdeos esto representados em Portugal por duas espcies do gnero
Chalcides e so vulgarmente conhecidos por "cobra-de-pernas" ou "fura-mato". Tm o corpo
esguio e membros curtos ou rudimentares, podendo atingir cerca de trinta centmetros de comprimento.]
 Os largatos propriamente ditos diferem dos cincdeos pela longa cauda frgil, e, por outro lado, o dorso  coberto de pequenas escamas imbricadas ou granulosas, 
ao passo que a
cabea apresenta grandes placas regularmente dispostas. Encontram-se em todo o Velho Mundo, excepto em Madagscar e Austrlia; faltam por completo nas duas Amricas. 
Na
Europa, esto representadas pelo largato-vivparo (Lacerta vivipara) e pelo largato-gi (L. agilis), na metade setentrional do continente, pelo largato-verde (Lacerta 
muralis), na regio
meridional. Tal como as lagartixas e as osgas, os largatos propriamente ditos que vivem nas regies desrtas tm tambm os dedos revestidos de franjas escamosas. 
[Em Portugal o
termo "lagartixa"  vulgarmente aplicado a todas as espcies pequenas de lacertdeos, tambm conhecidos por "sardaniscas", como, por exemplo, Lacerta muralis, sendo 
as
espcies maiores designadas por "largato" ou "sardo", como Lacerta viridis, L. ocellata (L. lepida), etc. No Brasil o caso  diferente: a designao vulgar de "largatixa" 
 dada aos
Gecondeos, isto , aqueles surios a que ns chamamos "osga", excepto no Par e no Maranho, onde este nome ficou como termo usual.] Na sua grande maioria os largatos
alimentam-se exclusivamente de insectos e de aranhas. A anfisbena (Amphisbaena), cega e pode, representa, entre os Surios, a mais perfeita adaptao  vida subterrnea. 
Vermiforme, sem olhos nem ouvidos externos, com pele lisa, vive nas regies arenosas
hmidas, no interior de galerias subterrneas, dentro das quais se pode deslocar, quer avanando quer recuando. Nunca vem  superfcie e alimenta-se de insectos 
e miripodes.
[A famlia dos Anfisbendeos - surios, podes excepcionalmente, com minsculos membros anteriores - est largamente representada na frica e Amrica do Sul. Na 
Europa, existe apenas uma espcie, Amphisbaena alba chamada vulgarmente "ibijara" e "cobra-de-duas-cabeas", pela semelhana da extremidade caudal com a cabea.]
 Os varanos so as grandes espcies da subordem dos Lacertdeos. O varano da ilha de Komodo (Varanus komodensis) atinge o comprimento de trs metros, mas no passa 
de pigmeu comparado com o varano fssil dos depsitos fluviais do Plistocnio da
Queenslndia, que media perto de dez metros!
 Os Helodermdeos - o Heloderma horridum, a gila-monster, dos americanos, e o H. suspectum -, ambos do Texas, do Arizona e do Mxico, so os nicos surios venenosos 
conhecidos, animais das regies desrticas, que se alimentam em grande parte de outros
surios. A sua mordedura nunca  fatal para o Homem. So atarracados e indolentes, com cauda curta e espessa, escamas semelhantes a pequenas prolas de vidro, lngua
avantajada, e dotados de "colorao de aviso", caracterizada pela alternncia de anis negros e amarelos ou rosados. Os dentes tm a forma de gancho, com um sulco 
desde a base at 
extremidade, servindo de canal para o veneno que, segregado por uma fiada de glndulas situadas no interior do lbio inferior, pode assim ser introduzido no sangue 
da vtima.
 Os Angudeos, ou cobras-de-vidro, tm, como os cincdeos, escamas imbricadas, mas a lngua  bfida e porttil. A maioria das raras espcies conhecidas vivem na 
Amrica; em geral
tm membros bem desenvolvidos, com cinco dedos nos anteriores, mas no Ophisaurus apus as patas posteriores so apenas vestigiais. Este animal, conhecido por "pseudope-de-palas",
cujo comprimento atinge perto de 1,20 metros, tem longa cauda to frgil que se quebra, como se fosse vidro, em diversos pedaos, quando se lhe mexe com pouco cuidado.
 A cobra-de-vidro da Europa (Anguis fragilis), que os Anglo-Saxes chamam slow worm (verme lento) ou blind werm (verme cego) [e em Portugal, "fura-mato" e tambm 
"licrano"],
no  evidentemente um verme, e nem sequer  cego nem lento, pois possui olhos bem desenvolvidos, e, apesar de ser completamente desprovidos de membros, pode deslocar-se
muito rapidamente por ondulaes serpentinas do corpo. [Como o seu nome cientfico indica, tambm  quebradio, e encontra-se em lugares hmidos, debaixo de pedras 
ou de
detritos.] Distingue-se tambm dos outros representantes da famlia pela presena de pequenas escamas. Torna-se ainda fora do vulgar por se alimentar de preferncia 
de pequenas lesmas que causam estragos nas hortas; enfim,  ovovivparo, dando nascena a uma dzia de filhos em cada ninhada.
 Os pigopos da Austrlia (Pygopus lepidopus), da Tasmnia e da Nova Guin (Lialis burtoni) so tambm surios serpentiformes degenerados; o seu habitat no  subterrneo, 
como se
podia supor pela configurao do corpo, mas sim entre as ervas altas e debaixo das pedras
e, por isso, so denominados "criptozicos". A cauda  longa e frgil. As patas anteriores desaparecem e as posteriores esto transformadas em apndices escamosos, 
de um ou
outro lado do corpo. Estes animais deslocam-se por uma srie de ondulaes laterais, da cabea at  cauda, que tm por efeito comprimir o corpo contra a erva e 
empurr-la assim
para diante. Mas os apndices correspondentes s patas posteriores - coisa curiosa - parece
que no desempenham qualquer papel nestes movimentos. Uma das espcies mais vulgares mede cerca de sessenta centmetros, sendo quarenta s da cauda.
 Os iguanas, que podem medir 2,50 metros de comprimento, tm diversos aspectos. Alguns so aquticos, outros arborcolas ou terrestres. O basilisco-de-coifa (Basiliscus 
americanus), da
Amrica Central, tem na parte posterior da cabea uma pequena crista triangular que pode dilatar e contrair, uma outra crista acompanhando a espinha dorsal, que 
pode levantar e
baixar  sua vontade, e ainda uma outra denticulada ao longo da cauda. O basilisco recolhe-
se em ramos situados sobre a gua, na qual se precipita ao menor alarme. Os dedos das patas posteriores tm uma franja de longas escamas que auxiliam o animal a 
deslocar-se 
superfcie da gua ou sobre a areia macia.
 Os amblirrincos (Amblyrhynchus), das ilhas Galpagos, encontram-se aos milhares nas praias e alimentam-se de algas marinhas expostas na mar baixa.
 Os agamdeos do Velho Mundo abrangem numerosas espcies notveis pelo desenvolvimento dos espinhos. O moloch-hirsuto ou diabo-de-cornos (Moloch horridus), da
Austrlia,  um animal do deserto, de corpo chato e cauda curta, revestido de uma armadura de grandes espinhos irregulares e armado, acima dos olhos, de um par de 
espinhos maiores.
O lagarto-de-gola (Chlamydosaurus kingi), o qual possui, no pescoo, uma grande prega cutnea em forma de folho pregueado, que se pode distender de maneira a formar 
uma grande gola circular sustida por hastes cartilagneas, semelhante s varetas de um guarda-chuva. Desdobrando esta gola e abrindo ao mesmo tempo a boca, o animal 
causa um efeito
terrfico. Se se assusta, dobra a gola e, erguendo-se nas patas traseiras, foge rapidamente. s vezes, faz frente ao inimigo, ostentando o amarelo-aafro da sua 
grande boca aberta,
que contrasta com o amarelo-esverdeado da gola salpicada de vermelho. Um outro animal muito semelhante a este largato  o drago-voador da Malsia (Draco volans). 
Faz voo
planado de um ramo para outro de altas rvores, lanando-se no espao e distendendo as grandes pregas cutneas que existem nos lados do corpo. Tensa por cinco ou 
seis costelas,
esta pele pode dobrar-se para trs quando no  utilizada. Por baixo, esta membrana  vivamente corada de vermelho, cor de laranja e azul, e marmoreada de negro. 
Os indivduos
maiores medem apenas 38 centmetros. [No Timor Portugus,  frequente a espcie Draco timorensis, de pequena estatura, 20 a 30 centmetros, incluindo a longa cauda, 
que tem quase o dobro do corpo.
A membrana  mantida por cinco finssimos prolongamentos das costelas e no  colorida, apenas marmoreada de escuro por cima e esbranquiada por baixo.]
 Os Camelondeos, vulgarmente conhecidos por "camalees" so, sem dvida, os Surios mais curiosos pela sua extraordinria adaptao  vida arborcola. Muitas espcies 
oferecem
um aspecto estranho, mormente por terem a cabea armada de espinhos e cristas, principalmente no macho. [Em Portugal, essa espcie  conhecida por camaleo vulgar 
ou
camaleo europeu (Chamaeleo chamaeleon).]
 Os cinco dedos de cada pata esto dispostos em grupos de maneira a formar rgos pretensores admirveis. Os dois dedos extremos das patas de diante opem-se aos 
trs internos, ao passo que nas patas de trs a disposio  inversa. A cauda  igualmentepretensora. Os olhos, situados na extremidade em forma de clave, e coberta 
de saliva viscosa pode ser projectada com extraordinria rapidez  distncia de 45 centmetros, em parte pela sua prpria elasticidade e em parte pelo fluxo de sangue 
a enviado sob presso. Aproxima-se com extrema precauo dos insectos e, distendendo de repente a lngua, com uma
preciso infalvel, traz a vtima para a boca, colada  extremidade deste extraordinrio apndice. A faculdade que os camalees tm de mudar de cor, de harmonia 
com a do
ambiente,  bem conhecida; esta mudana de cor  influenciada pela temperatura e pela emoo.
 [No Brasil no existe o verdadeiro camaleo, mas a palavra  aplicada na designao de outras espcies de surios. Assim, o termo "camaleo", corruptela de camaleo, 
associando-lhe qualificativos,  usado para designar a taraguira (Tropidurus torquatus), um iguandeo, e o jacar-pinima (Ameiva ameiva), um acertdeo, aos quais 
so dados os nomes de "camaleo-da-pedra", ao primeiro, e "camaleo-ferro", ao segundo, este tambm conhecido simplesmente por camaleo.]
 
 
Ofdios
 
 
 Os Ofdios e os Surios tm tanto de comum entre si que constituem, em conjunto, a
ordem Squanata, e  quase certo que as duas subordens derivam de um antepassado comum, mas as serpentes reconhecem-se facilmente pelo longo corpo sinuoso e ausncia 
total de membros. Ainda que certos surios tenham adquirido forma semelhante, as
serpentes podem ser sempre reconhecidas pelos dentes agudos, compactos, sulcados ou canaliculados, curvados para trs, em forma de gancho. No tm plpebras, estando 
o olho
protegido externamente por uma escama crnea, semelhante a um vidro de relgio; as extremidades anteriormente da maxila inferior esto unidas entre o afastamento 
lateral. Uma
das caractersticas anatmicas mais evidentes das serpentes  o nmero elevado de costelas - at 200 pares -, as quais ajudam a locomoo. As escamas da face inferior 
do corpo
constituem, em quase todo o comprimento, uma srie de placas transversais, estando as extremidades livres, de cada par de costelas, ligadas a estas placas, Quando 
as costelas so
movidas para a frente, o bordo posterior de cada placa desprende-se da placa seguinte, e o seu rebordo raspa o solo, de modo que, quando os pares de costelas se 
movem para trs, o
corpo  impulsionado para a frente. 
 [Como nos Surios, a camada externa crnea da pele destaca-se, mas nos Ofdios, em vez de se destacar em placas isoladas mais ou menos extensas, despe-se em conjunto,
comeando por se romper junto aos lbios, formando uma exvia com a forma do corpo do animal, em geral aderente ao suporte sobre que se esfregou, s vezes dependurada 
num
tronco como um fato.]
 As serpentes no tm ouvido muito apurado mas em compensao o olfacto  muito desenvolvido, localizado na comprida lngua bfida, que, quando elas se deslocam, 
se agita
constantemente, recebendo emanaes do local que percorrem.
  contudo pela estrutura das maxilas e dos dentes que as serpentes diferem mais dos Surios, porque os ossos maxilares, onde esto presos os dentes na maxila superior, 
podem
ter movimentos considerveis para a frente e para trs, e as duas meias-maxilas inferiores podem afastar-se exageradamente. Os dentes so encurvados para trs, e 
existem tambm
dentes suplementares nos ossos palatinos.
 Todas as serpentes so carnvoras e engolem as vtimas inteiras. Acontece-lhes, por isso, muitas vezes, terem de fazer passar entre as maxilas muito maiores presas 
que a prpria
cabea!  ento que as maxilas, armadas de dentes, entram em aco. Quando a presa  abocada, os dentes em gancho, de um dos lados da cabea, so projectados para 
a frente
para se fixarem sobre ela e, quando eles se movem para trs, os do outro lado, por sua vez, projectam-se para a frente e ficam-se, de modo que, por uma traco alternada 
dos dentes
de cada lado, a vtima  introduzida, pouco a pouco, na boca e empurrada para a faringe e esfago. Chegando ao estmago, este distende-se e, em consequncia, o corpo 
da serpente
dilata-se de tal maneira que as escamas ficam muitas vezes bastante afastadas umas das outras. Um repasto to copioso leva bom tempo a ser digerido; por isso os 
intervalos
entre eles so geralmente considerveis.
 [o nome de Ofdio esto ligados estes trs vocbulos - "serpente", "cobra" e "vbora" -
aparentemente sinnimos.]
 As primeiras serpentes a serem aqui estudadas so os Tiflopdeos: alimentam-se de
vermes e insectos que encontram perfurando a terra. A sua vida inteiramente subterrnea explica o aspecto vermoforme e a perda total da vista e a dos dentes na maxila 
inferior. As
escamas da face ventral no tm a forma de placas.
 As chamadas "serpentes-cegas" ou "cobras-de-duas-cabeas" (Leptotyphlops) tm dentes na maxila inferior e no na superior. O L. albfrons tem uma colorao curiosa: 

uniformemente castanho, com uma mancha branca na cabea e outra na cauda, o que torna difcil distinguir a cabea da cauda, sendo por vezes esta curiosamente arredondada 
na
extremidade.
 A famlia dos Ilisideos, vulgarmente chamados "rolos", tem uma rea de distribuio muito vasta. A Ilysia, sul-americana, tem a mesma colorao de faixas que as 
serpentes-coral,
venenosas, enquanto a Cylindrophis, da Birmnia, e da Malsia,  castanha ou negra com riscas transversais claras, o ventre branco com barras transversais negras, 
expertos na face
inferior da cauda, que  vermelho. Quando se tira o animal da terra e se coloca no solo, imediatamente a cauda se levanta, como se tratasse de exibir uma colorao 
de aviso, e, se  molestada, ela encurva a cauda e projecta-a para a frente, como se fosse a cabea. Esta colorao e este procedimento so dignos de notar devido 
ao facto de a serpente Doliophis,
das mesmas regies, extremamente venenosa , possuir o mesmo aspecto e comportar-se igualmente. , pelo menos, extraordinrio encontrar caracteres idnticos em duas 
espcies sem parentesco algum, embora vivam em galerias subterrneas. As boas e as ptons, ainda que anatomicamente aparentadas com as serpentes escavadoras que 
acabam de ser descritas, so verdadeiros gigantes, comparadas com elas.
 Os representantes destes dois grupos no so venenosos e no so fceis de distinguir pelos caracteres exteriores. As ptons so as mais numerosas do Velho mundo. 
Nestas duas qualidades de serpentes, encontra-se vestgios de membros posteriores, representados por um par de espores disposto na base da cauda. Elas dominam e 
matam as presas por constrio, enrolando rapidamente o corpo s vtimas, e, acertando os anis, sufocam-nas.
 A designao de boa constrictor  dada geralmente a elevado nmero de grandes serpentes constritoras, mas deve ser reservada  jibia, espcie sul-americana (Constritor 
constritor), cujo comprimento raramente ultrapassa trs metros e meio (mas pode atingir cinco metros). O maior Bodeo  a anaconda (Eunectes murinus), serpente semiaqutica 
e semiarborcula, das florestas amaznicas [conhecida no Brasil por "sucuri"]. Mas estes
gigantes, que podem ultrapassar dez metros de comprimento, parecem anes comparados com a Pton fssil, Gigantophis, do Eoceno mdio de Fayum (Egipto), cujo comprimento 
se
avalia em dezasseis metros;  a maior serpente de que h conhecimento. Das ptons actuais a mais imponente  a pton reticulada (Python reticulatus) que pode atingir 
cerca de dez
metros.
 A grande maioria das serpentes pertence  famlia cosmopolita. Alguns dos seus representantes vivem nos desertos, outros nas rvores e outros so aquticos. Podem
distinguir-se trs grupos: os que no tm dentes inoculadores de veneno (Aglifodontes); os
que possuem, situados na parte posterior da maxila superior, e pequenos dentes na parte anterior (Opistoglifodontes); e os que tm os dentes inoculadores de veneno, 
 frente, na
maxila superior (Proteroglifodontes).
 A alimentao  muito variada. Certos Colubrdeos arborcolas do arquiplago da Amrica Central e do Sul alimentam-se de lesmas. Outros, do Sueste da sia e Amrica 
Central,
vivem em esturios e em guas doces, alimentam-se de peixes; Tm o corpo deprimido lateralmente e no resistem em terra. A serpente-papa-ovos (Dasypeltis), que realmente 
s
come ovos, da frica Tropical e do Sul, possui apenas alguns dentes nas maxilas e a boca  to extensvel que lhes permite engolir ovos inteiros. Contudo, a parede 
do esfago 
atravessada por apfises vertebrais, com a configurao de dentes, que neles se salientam e quebram os ovos. Por contraces dos msculos do pescoo, num movimento 
de vaivm,
ntero-posterior, a casca do ovo  serrada ao comprido, o que permite a sada do contedo para o estmago; os fragmentos da casca so depois expelidos pela boca. 
Coisa estranha, um
dos Colubrdeos opistoglifodontes de Bengala come tambm ovos, tal como estas inofensivas serpentes, e possui o mesmo sistema para abrir a casca!
 A cobra-lisa da Europa (Coronella), alimenta-se quase exclusivamente de lagarto-gil (Lacerta aglius). A serpente real da Amrica do Norte (Lampropeltis) alimenta-se 
somente de
outras serpentes, venenosas ou no, que ela mata por estrangulamento. A cobra-real ou hamadrade (Naja hannah) procede igualmente. As cobras esto difundidas em 
toda a sia Meridional e frica. O famoso "capelo", que se
dilata  laia de aviso de intimidao, quando a serpente est ameaada, forma-se devido  extenso das costelas do pescoo. O veneno da cobra, que actua no sistema 
nervoso, de
aco rpida, provm da glndula situada na base do dente, que  canaliculado e tem um orifcio na extremidade. Esta serpente alimenta-se de pequenos roedores. A 
cobra-de-pescoo-negro ou cuspideira da frica (naja nigricollis) pode projectar o veneno a alguns metros de distncia, sob a forma de uma fina vaporizao. A sua 
aco pode causar, no olho
humano, uma irritao intensa, e, em consequncia a cegueira temporria ou permanente. [Na Guin, frequentemente, encontra-se caes cegos que foram atacados pelo 
veneno da
cuspideira.] Na Amrica, os nicos representantes das Cobras so as Elaps ou serpentes-coral, pequenos indivduos escavadores ou semiescavadores, com uma brilhante 
colorao
de aviso, formada por faixas vermelhas, amarelas e negras.
 Existem numerosas espcies de serpentes marinhas ou hidrofdios, caracterizadas pela
longa cauda achatada anguiliforme. Podem medir dois metros e meio ou mais, e infestam as regies tropicais do oceano indico (exemplo Hydrus platurus), principalmente 
nas guas
costeiras, onde se alimentam de peixes e particularmente de enguias.
 Nas vboras e nos crtalos ou serpentes-cascavel, os dentes inoculadores de veneno so reversveis, isto , pelo movimento maxilar podem dobrar-se junto ao palato, 
quando a boca
est fechada (Solenoglifodontes).
 As verdadeiras vboras no tm fossetas entre a narna e o olho e esto confinadas ao Velho Mundo. Algumas, como as vboras nocturnas de frica (Causus) so pequenas. 
A
Atheris, da frica Tropical,  uma serpente arborcola com cauda prensil e de colorao protectora. Tal colorao existe na vbora do Gabo (Bitis gabonica) das 
florestas hmidas
da frica Tropical, mas, neste caso, a camuflagem est assegurada por desenhos geomtricos parcelares, nos quais entram as cores azul, amarelo e vermelho-claro.
 
 [So quatro as espcies de vboras da Europa:
 
 Vipera ursini;
 Vipera libetina;
 Vipera berus [em Portugal,  conhecida por "vbora-preta"];
 Vipera ammodytes.

 Muitos outros Viperdeos se podem citar como as temveis vboras da frica, Bitis arietans,
a surucucu africana, Bitis gabonica, a vbora-do-gabo, e as vboras nocturnas, pequenas mas perigosas, do gnero Causus, etc.]
 Os crtalos ou cobras-cascavel da Amrica e do Sueste da sia distinguem-se pela presena, entre o olho e a narina, de uma profunda fosseta revestida de escamas 
e
nitidamente sensorial. A surucucu (Lachesia mutus), da Amrica, que mede trs metros e meio e a vbora-de-ferro-de-lana (Bothrops atrox), da Amrica do Sul, do 
Mxico e das
Antilhas inferiores, que atinge 1,80 metros, causam pela mordedura um envenenamento fatal.
[Assim  tambm o efeito do veneno da jararaca, Bothrops jararaca, do Brasil.]
 
 Os crtalos [como o Crotalus terrificus, do Brasil] reconhecem-se pelo seu dispositivo produtor de som e cascavel, que soa como chocalho. O mais antigo, o anel 
terminal, 
apenas a escama espessada, da ltima vrtebra caudal; mas, depois de cada muda sucessiva, um novo anel se forma, empurrando para trs o precedente. Quando o animal 
est
excitado, agita a cauda e os pequenos anis entrechocando-se produzem um rudo estralejante da matraca, singularmente tpico, como que anunciando a morte. [O nmero 
de anis crneos, que pode chegar a doze ou mesmo a vinte, est relacionado com a idade do
animal, correspondendo aproximadamente dois a cada ano.]
 
 
As serpentes e o meio ambiente
 
 
 [As serpentes de vida subterrnea podem, por vezes, confundir-se com outros animais podes que tenham o mesmo habitat, as "cobras-de-duas-cabeas" (Tiflopdeos 
e
leptotiflodeos) lembram muito as minhocas, que so vermes aneldeos, dos quais se distinguem facilmente pelo seu revestimento escamoso uniforme. Tambm com uma
daquelas serpentes inofensivas poder uma pessoa confundir a cobra-bob, que  um
Batrquio pode (Dermophis thomensis), desprovido superficialmente de escamas; ou tomar inofensiva a vbora-subterrnea (Atractaspi aterrima), toxofdio viperino 
extremamente perigoso, e, finalmente, poder tomar por serpente um licrano, lagarto pode, afisbendeo,
tambm de hbitos subterrneos, mas que visivelmente se distinguem das serpentes pelos seus movimentos de ondulao dorso-ventral, em contraste com os de ondulao 
lateral
daquelas. As serpentes-do-mar - toxofdio hidrofdio so muito perigosas nos seus venenos, que causam grandes acidentes.
 As serpentes arborcolas so muito alongadas, com a cauda em forma de chicote, e dotadas de grande mobilidade, de boa vista e de homocromismo muito perfeito. So
toxofdios, como as mambas (Dendroaspis sp.), e a sua agressividade  temvel.
 As serpentes terrcolas apresentam geralmente pintura como camuflagem de parcelamento, pelo que a sua figura caracterstica fica substituda por figuras parcelares, 
que a deturpam
por completo e a tornam irreconhecvel (exemplo: vvora-do-gabo, Bitis gabonica).]


Venenos ou peonhas
 
 
 [Os antigos chamavam "peonhas" s substncias txicas inoculadas pelas serpentes distinguindo-as dos venenos ou substncias actuando por digesto.
 A produo de venenos, preponderante em muitas serpentes, encontra-se tambm nalguns Surios, como nos da famlia dos Helodermatdeos, de situao sistemtica entre 
os
Varandeos e Angudeos. Um dos representantes desta famlia  o heloderma (Heloderma horridum), surio de colorao avermelhada As glndulas produtoras de veneno, 
situadas na
parte anterior da mandbula, por cujos sulcos corre o veneno, quando o animal morde. A sua mordedura  considerada to violenta que o heloderma tornou-se temido 
como cobra-cascavel. Este veneno tem aco hemotxica e neurotxica paralizante.
 Alguns animais, como o gato, tm uma certa imunitria  aco do veneno de heloderma.
 Os venenos das serpentes so de natureza albuminide. Os venenos dos Colubrdeos so proteoses, albuminides termorresistentes; os dos Viperdeos so albuminas 
termosensveis, alm de muco e pigmentos. Neles existem a funo venenosa e anti-venenosa. A sua
aparncia  a de um lquido incolor, ou amarelado, mais ou menos carregado, ou esverdeado. Diludos em gua comum, perdem o poder txico, mas, deixando-os secar, 
obtm-se cristais que, durante muito tempo, mantm este poder.
 A natureza das protenas e a sua aco txica  muito varivel, conforme as espcies dos ofdios. Os principais agentes txicos que entram na composio so: 
 Neurotoxinas - actuam principalmente sobre o sistema nervoso, com rapidez, provocando vmitos e paralisia nos membros.
 Hemorraginas - tm aco principalmente sobre o sistema circulatrio, provocando hemorragias e destruindo os capilares.
 Citolisinas - tm composio menos conhecida do que as anteriores e parecem ter aco destruidora sobre certas clulas. Oferecem grande resistncia  aco do calor.
 Hemolisias - atacam as clulas do sangue, destruindo principalmente os glbulos vermelhos.
 Fermentos coagulantes - promovem a coagulao do sangue.
 
 Os sucos digestivos tm aco sobre o veneno das serpentes e, portanto, por via bucal, no caso de no haver nenhuma ulcerao nas mucosas que d entrada s toxinas 
nas correntes sanguneas, o veneno torna-se inofensivo, principalmente,  aco do suco pancretico.
 O conjunto formado pelas glndulas produtoras de veneno, dentes inoculadores e msculos da cabea, que movimentam as maxilas, constitui o aparelho venenoso das 
serpentes. Mas nem todas possuem dentes inoculadores, como  o caso das numerosas
Aglifodontes, em que os dentes so todos idnticos, compactos e desprovidos de sulco. Por
isso, ainda que a saliva seja venenosa, devido a algumas das glndulas maxilares superiores funcionarem como produtoras de veneno, a mordedura no  perigosa para 
o Homem.
Algumas serpentes no so venenosas, como as serpentes da Europa, por exemplo, a cobra-de-colar ou cobra-de-gua (Natrix natrix), existente em Portugal, os Philothamnus 
os
Boaedon de frica, etc.
 Nas opistoglifodontes, existem j dentes inoculadores sulcados, situados na parte posterior da maxila superior.
 A serpente africana Dispholidus typus, abundante nas provncias ultramarinas, a qual tem
ocasionado alguns casos fatais pela sua mordedura, quando manipulada desajeitadamente.
 Estas temveis serpentes pertencem  famlia dos Elapdeos e a sua mordedura pode ocasionar rapidamente a morte pela grande toxidade do veneno. A esta famlia pertencem 
as
Naja (cobra-de-capelo), as Dendroaspis ou mambas, arborcolas; as Elapsoide, etc.
 As serpentes da famlia dos Hidrofdios, tm dentio idntica  dos Elapdeos.
 Na famlia dos Viperdeos - solenoglifodontes -, o aparelho inocular atinge o mximo de
perfeio, funcionando como uma verdadeira seringa hipodrmica. Os dentes inoculadores, menores, com canal interno, situam-se muito  frente no pequeno maxilar. 
As glndulas de
alguns Viperdeos, so muito desenvolvidas.
 Alguns animais possuem imunidade aos venenos das serpentes, perseguindo-as e atacando-as, como o ourio-cacheiro (Erinaceus), os mangussos (Herpeste) e, certas 
aves, como o serpentrio.]


Os sentidos nos Rpteis e o seu meio
 
 
 Muitas reaces dos Rpteis so puramente instintivas, ainda que sejam capazes de uma espcie de aprendizagem complexa e muito mais dcil do que a dos Peixes e 
Batrquios.
Estes Vertebrados so vulgarmente designados animais de "sangue frio" por que a temperatura interior est sujeita s oscilaes da temperatura exterior. Os Mamferos 
e as
Aves possuem um mecanismo de regulao que permite manter a sua temperatura interna a um ponto determinado; So animais de temperatura constante (homotrmicos) e 
no animais
de "sangue quente", como se diz. 
 A maior parte dos Rpteis mantm a temperatura do corpo entre 30 C e 40 C.
 Os Batrros, devido  pele glandular hmida, so constantemente refrescados pela evaporao da gua e em temperaturas do corpo mais baixas.
 Para um roedor, o manter uma temperatura relativamente constante constitui uma forma de
emancipao em relao ao meio, e, no seu conjunto Mamferos e Aves tm vantagem sobre os Rpteis no que diz respeito  capacidade de reaco e adaptao s circunstncias
exteriores.
 O Rptil  superior ao Peixe e ao Batrquio, pois at mesmo a tartaruga, relativamente primitiva, aprende mais depressa do que uma r a encontrar o caminho num 
labirinto
experimental.
 As tartarugas, os crocodilos, a maior parte dos Surios e das serpentes diurnas tm indcios visuais para determinar a posio exacta da presa.
 As tartarugas, em especial as espcies herbvoras, so guiadas pelo movimento, mas a viso cromtica parece ter nelas um papel preponderante na alimentao, tm 
preferncia
pelo vermelho e amarelo.
 Nos rpteis nocturnos ou escavadores, o olfacto desempenha o papel mais importante na procura dos alimentos. 
 As serpentes, os surios possuem lngua bfida, tambm os cincdeos de lngua bfida, pelo
olfacto, apercebem-se sem dificuldade, do alimento enterrado.
 Alm da viso e do olfacto, que podem, os dois, ou um ou o outro, participar na localizao e na captura das presas, certos rpteis possuem rgos sensoriais especiais.
Em certas serpentes encontra-se receptores trmicos que lhes permitem no somente sentir a presena de presas de "sangue quente" como dirigir os seus golpes com 
preciso. Nas serpentes, o olfacto desempenha um papel nas suas actividades predadora, ainda que a maioria das reaces de qualquer rptil denuncie um comportamento 
inato.
 Os surios so sensveis a estmulos auditivos, apesar de considerados surdos.
 Parece que as serpentes confiam em grande parte no seu olfacto para a escolha de companhia. Os combates dos seus machos foram tomados por uma dana nupcial, em
consequncia de impossibilidade de determinar o sexo dos indivduos. Apesar de tudo, ainda
se ignora se os machos se batem pelas fmeas preferidas ou para defender os direitos territoriais.
 Os machos das tartarugas terrestres e algumas tartarugas aquticas, combatem na poca das npcias mas at agora ainda no se pde estabelecer se os territrios 
eram defendidos
do mesmo modo.
As cores vivas que ornamentam os surios machos de certos grupos no servem para seduzir, embora a prega cutnea, da regio vermelha do macho de Anolis carolinsis 
sirva
para tornar o anil mais evidente aos olhos das fmeas.  inconstatvel que a colorao de muitos rpteis impede que os inimigos eventuais os assinalem. Por outro 
lado, as mudanas
de cor contribuem para a dissimulao e desempenham um papel na regulao da temperatura.
 Mudanas de cor complexas produzem-se nos camalees (Chamaeleo), a presena de receptores sensoriais tanto cutneos como visuais.
 Para resumir este breve e incompleto relato sobre os sentidos dos Rpteis, deve-se salientar que se produziram especializaes em diversos sentidos, e que, em geral, 
as suas
actividades esto predestinadas por disposies hereditrias!
 Qualquer que seja o comportamento considerado, devemos interpet-lo como uma adaptao ao meio. Os mecanismos sensoriais e o comportamento que determinam resultam 
de foras selectivas que tornam uma espcie apta a sobreviver num habitat particular.


CURIOSIDADES:
 

[ O monitor-de-komodo, Varanus komodesnsis,  o surio actual de maior corporatura, que
chega a medir 4 metros de comprimento. Vive na ilha de Komodo, no arquiplago da Sonda 
 O Dinossauro Monoclonius era dotado de corno nasal, que lhe d semelhana com o rinoceronte. 
 O Crocodilo, Crocodylus niloticus,  o maior rptil (at cerca de 7 metros) e habita em quase
todos os rios da frica e de Madagscar. 
 A tartaruga, Platysternon megacephlum,  encontrada nas montanhas da Birmnia. 
 A tartaruga-leoprado, Testudo pardalis,  da frica Tropical. 
 A Testudo tabulata, tartaruga da Amrica Subtropical,  conhecida no Brasil por "jaboti". 
 A Testudo radiata,  uma tartaruga de Madagscar. 
 A Testudo graeca, Tataruga com vasta distribuio geogrfica, desde a Prsia at  Espanha e Noroeste da frica, na Mauritnia. 
 A tartaruga Marina, Caretta caretta,  encontradia no Mediterrneo e nos mares temperados do Atlntico e do Pacfico, atingindo pouco mais de 1 metro de comprimento 
e o peso
de 1500 quilos. 
 A Tartaruga -franca, Chelonia mydas, de que se faz a famosa sopa de tartaruga 
 Um dos maiores inimigos das abelhas,  o Agama atricollis, um lagarto de Angola e Moambique. 
 O largato do deserto australiano, Moloch horridus,  inofensivo apesar do seu aspecto orrendo.
Um Chamaeleo dilepis,  o camaleo de mais vasta distribuio geogrfica em toda a frica
Tropical, como todos os seus congneres, tem a possibilidade de harmonizar a cor da pele com a do ambiente prximo (homocromia). 
 A Iguana iguana, espcie da Amrica Central e zonas quentes da Amrica do Sul,  conhecida no Brasil por "sinimbu". 
 O Lagarto barbado, da Austrlia, seu nome alude s escamas espinhosas na garganta e nos lados do pescoo. 
 A cobra-leoprado, Elaphe situla, a serpente rateira, encontra-se na Europa Oriental, sia Menor, Cucaso e crimeia. 
 A cobra-cip ou bicuda, Oxynbelis acuminatus, encontra-se na Amrica Tropical, principalmente no Norte do Brasil e Guianas.  to delgada e comprida que lembra 
um chicote.
 A serpente arborcola da frica, Dispholidus typus, pode produzir mordeduras gravssimas, em virtude da concentrao e toxicidade da sua peonha. Antes de atacar, 
toma uma atitude
de aviso, dilatando exageradamente com ar o pescoo e a parte anterior do corpo. 
 A Anaconda, Eunecte murinus,  uma serpente gigante da famlia das jibias, a maior do mundo, atingindo averiguadamente pouco mais de 12 metros (exageradas so 
as estimativas de 20
metros). A sua distribuio geogrfica estende-se a toda a Amrica do Sul, a leste dos Andes.
 conhecida no Brasil pelo nome, entre outros, de "sucuri" e suas variantes. 
 A cobra-coral, Micrurus fulvius,  muito venenosa e tem dentes inoculadores,  serpente mansa e raramente morde.
 A Vipera berus, conhecida em Portugal por "vbora preta",  representada pela subespcie seoanei. 
 A cobra-colar, Natrix natrixi,  inofensiva; embora semelhante s vboras, no deve ser confundida com elas: tem cauda comprida e pupila redonda. 
 A serpente Boa canina, tem dois sulcos labiais, superior e inferior e  conhecida no Brasil pelos nomes de "ararambia" e "cobra-papagaio" 
 A cobra-capelo, Naja naja, terrvel elapdeo da ndia, fica com seu "capelo" dilatado, numa atitude de imitao. ]




MORDEDURA DOS OFiDIOS
 
 
 [Aqui um breve relato de informaes e conselhos sobre as marcas deixadas pelos dentes na pele e os primeiros socorros a administrar a quem seja mordido por serpentes.
 a) Marcas. - Nos Colubrdeos aglifodontes, os dentes so pequenos, cnicos, aguados, macios, sem sulco, e inclinados para trs; situam-se nos maxilares, superiore 
e inferiore, e nos palatinos.
 A dentada deste ofdio deixa uma marca constituda por quatro sries de finas perfuraes, convergentes adiante, correspondendo as interiores aos dentes palatinos 
e as exteriores aos maxilares superiores.
 Os Tiflopdeos apresentam dentes s nos maxilares superiores, ao passo que nos os Leptotiflopdeos os
tm s nos maxilares inferiores, mas, tanto num caso como no outro, sempre em pequeno nmero. Estas
serpentes so absolutamente inofensivas.
 Os dentes inoculadores dos opistoglifodontes, com sulco, ou caneura, apresentam formas e dimenses
diversas conforme o gnero da serpente. Sempre em posio posterior no maxilar superior, podem construir
um grupo de trs dentes de cada lado ou dois grupos de dois, separados por outros normais. Encontram-se envolvidos s pregas da mucosa bucal e junto  sua base vem 
abrir o canal excretor da glndula de veneno.
 A marca da mordedura dos opistoglifodontes assemelha-se  dos aglifodontes, e s quando, raramente,
os dentes posteriores maxilares, inoculadores, intervm se observa perfuraes grossas que os assinala, no
extremo das sries externas.
 Nos proteroglifodontes, os dentes inoculadores, em nmero varivel, so tambm sulcados, podendo o
sulco ser muito profundo e os bordos tocarem-se, formando um canal cuja sutura  perceptvel. Sempre em
posio anterior no maxilar, esto tambm envolvidos por pregas da mucosa bucal; junto  base do dente,
abre o canal excretor da glndula de veneno.
 Nos Hidrofdeo (serpentes marinhas), o sulco no  muito profundo e os dentes inoculadores so precedidos de dentes normais. Mas, nos Elapdeos, os bordos do sulco 
tocam-se e o veneno no canal assim formado. saindo por um orifcio mais ou menos prximo da extremidade do dente. Nas "cuspideiras" (certas
Naja), o veneno  projectado  distncia, no s devido  fora de compresso dos msculos, como tambm  posio recuada do orifcio em relao  extremidade do 
dente.
 Nos solenoglifodontes, que so todos os Viperdeos, os dentes inoculadores, inseridos anteriormente no
curto maxilar podem atingir grandes dimenses; nalguns casos quatro a cinco centmetros. Envolvidos por
grossas pregas da mucosa, so mveis, ao contrrio do que acontece em todas as outras serpentes.
 As marcas da mordedura dos protoglifodontes e dos Solenoglifodontes assemelham-se por terem uma
dupla srie de perfuraes finas (dos dentes palatinos), ladeada por perfuraes grossas (dos dentes maxilares) Distinguem-se, porm, porque nos primeiros (Elapdeos) 
so mais numerosas (dois a trs pares)as perfuraes grossas e convergentes adiante das finas, enquanto, nos segundos (Viperdeos), aquelas
reduzem-se a um par e estas, pelo contrrio, divergem adiante.
 
 b) Tratamento. - Os primeiros socorros - na ausncia de mdico ou de servio de enfermagem, e durante perodo que no exceda a primeira hora aps o acidente - devem 
ser os seguintes;
 Ligar, moderadamente, sempre que seja possvel, a regio mordida, cinco a dez centmetros da ferida, e
 colocar outra ligadura mais distante, para atrasar a difuso de veneno.
 Manter o ferido em repouso total.
 Lavar a ferida, imediatamente, com um soluto de permaganato de potssio a um por cento, e, em
 seguida, cobri-la com um penso adequado.
 Arrefecimento local, sempre que possvel, com gelo ou pulverizao com cloreto de estilo, para atrasar
 a difuso de veneno.
 Administrao de um tranquilizante para acalmar a angstia, sempre intensa na pessoa mordida e nunca qualquer bebida alcolica nem inalaes de amonaco.
 Respirao artificial, boca a boca, se houver tendncia para a asfixia.
 Capturao e conservao, para identificao, da cobra agressora, tendo em vista a escolha do soro
 antiofdico a empregar. Se a cobra no for capturada, anotar a configurao da marca da mordedura deixada pelos dentes.
 Transporte adequado do dente a um mdico ou a qualquer servio sanitrio ou hospitalar.
 So ainda de observar as seguintes indicaes:
 No caso de no haver  disposio permanganato de potssio, podem utilizar-se solutos de gua de javel a dez por cento ou de cloreto de clcio a dois por cento.
 A escarificao da ferida por meio de escalpelo e a suco, chupando o sangue com a boca ou com ventosa, s deve ser feita por um mdico ou enfermeiro, para se 
evitar possvel hemorragia
 grave ou infeces secundrias. Quanto  suco com a boca pode ser perigosa para quem a executar, se tiver qualquer ferida labial ou bucal, ou lcera no tubo digestivo 
no caso de
 ingesto acidental do veneno.
 Outras recomendaes so, em geral, enunciadas e dirigidas especialmente aos mdicos e enfermeiros, no que diz respeito a infiltraes, por injeco em redor da 
ferida, quer de
 permanganato de potssio (na falta de soro) quer de soro polivalente, assim como o emprego de hialuromidase adicionado ao soro, a fim de acelerar a sua difuso.]

Fim do quinto volume
